Portal de Angola
Informação ao minuto

ONU denuncia milhares de supostas execuções na Venezuela

O presidente venezuelano Nicolas Maduro (c) e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, em uma cerimónia na qual participaram 6.500 soldados em 17 de Maio de 2019 em Aragua (Présidence vénézuélienne/AFP / HO)

AFP

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, denunciou nesta quinta-feira (4) o número “surpreendentemente elevado” de supostas execuções extrajudiciais cometidas pelas forças de segurança na Venezuela.

A grande maioria dessas mortes foi cometida pelas forças de segurança, uma proporção “surpreendentemente alta”, alertou Bachelet.

“Há incontáveis imprecisões, erros, descontextualizações e declarações falsas em que o EACDH incorre, como resultado do uso inadequado das fontes disponíveis”, respondeu o governo venezuelano.

Em seu relatório depois da visita à Venezuela, de 19 a 21 de Junho, Bachelet ressalta igualmente que “os grupos armados civis pró-governamentais conhecidos como coleCtivos contribuíram para a deterioração da situação, ao impor o controle social e ajudar a reprimir as manifestações”.

Em suas conclusões, a ex-presidente do Chile pede a dissolução das Forças Especiais (FAES), às quais ela atribui em particular a maioria dos 5.287 assassinatos extrajudiciais. As mortes teriam ocorrido, supostamente, devido à “resistência à autoridade”, durante as operações policiais em 2018.

“Entre 1 de Janeiro e 19 de maio deste ano, outras 1.569 pessoas foram mortas, segundo as estatísticas do próprio governo, e outras fontes sugerem que os números podem ser muito maiores”, ressalta Bachelet.

Esses dados foram fornecidos ao gabinete de Bachelet pelo próprio governo venezuelano, disse à AFP uma porta-voz, Ravina Shamdasani.

“Não tínhamos publicado até agora (…). Foram enviados para nós em resposta directa a nossos pedidos”, explicou.

Além disso, há 793 pessoas arbitrariamente privadas de liberdade, diz a alta comissária.

A Venezuela atravessa uma profunda crise política há meses, com a disputa entre o presidente Nicolás Maduro e a oposição ao lado do presidente interino autodeclarado, Juan Guaidó, reconhecido por cerca de 50 países.

O relatório de Bachelet confirma “todas as denúncias que temos realizado durante anos”, reagiu Guaidó, qualificando o governo Maduro de “ditadura sanguinária”.

O país também está passando por uma grave crise económica, agravada por um embargo de petróleo e por sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos para tentar tirar Maduro do poder.

“O governo se recusou a reconhecer a magnitude da crise até recentemente e não adoptou as medidas apropriadas”, explicou o texto.

“O relatório apresenta uma visão selectiva e abertamente parcial sobre a verdadeira situação dos direitos humanos” da Venezuela, afirmou o governo de Maduro em seus comentários.

“O documento recomenda libertar todas as pessoas presas ‘por motivos políticos’. Esta recomendação é inaplicável e, portanto, equivocada, pois na Venezuela não existem pessoas detidas por tais condições”, acrescenta.

“A situação é complexa”, admite Bachelet, que conseguiu se encontrar com os principais protagonistas da crise e com algumas vítimas.

“Este relatório contém recomendações claras sobre medidas que podem ser tomadas imediatamente para parar as violações actuais, fornecer justiça às vítimas e criar um espaço para discussões significativas”, diz Bachelet.

Além da dissolução das FAES e dos “coletivos”, Bachelet recomenda a criação de “um mecanismo nacional imparcial e independente” para analisar essas execuções extrajudiciais. Ela também pede ao governo que publique regularmente dados abrangentes sobre saúde, acesso à água e comida, entre outros, da população venezuelana.

O relatório recorda que o Alto Comissariado solicitou a criação de um escritório permanente na Venezuela.

Para o governo venezuelano, o relatório “não diz nada (…) sobre a necessidade de levantar as medidas coercivas unilaterais ilegal e ilegitimamente impostas ao país”.

“Peço a todas as pessoas com poder e influência – tanto da Venezuela, como no resto do mundo – que colaborem e contraiam os compromissos necessários para solucionar esta crise, que está destruindo tudo”, conclui Bachelet.

Também pode gostar

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está bem com isso, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia mais

Translate »