InicioMundo LusófonoGuiné-BissauApenas duas em cada 10 crianças guineenses frequentam jardim de infância, segundo...

Apenas duas em cada 10 crianças guineenses frequentam jardim de infância, segundo um estudo

Apenas duas em cada dez crianças guineenses têm a oportunidade de frequentar o jardim de infância, segundo um estudo da Fundação Fé e Cooperação (FEC), realizado em parceria com o Ministério da Educação da Guiné-Bissau, divulgado hoje.

De acordo com o documento, citado pela Sapo, que aponta a Lusa como fonte, “o direito ao acesso a serviços educativos das crianças é um dos mais ameaçados” na Guiné-Bissau.

Foram inquiridos 744 jardins de infância de todas as regiões da Guiné-Bissau e apenas um terço (32,7%) dos educadores possuem formação superior e especializada (licenciatura e bacharelato), sendo que a maioria possui o 12.º ano.

A FEC revela preocupação com o número de educadores que trabalham na educação pré-escolar e a sua formação, uma vez que, em média, existem 2,3 por jardim de infância, sendo que o número varia entre um a 18 educadores por estabelecimento.

No mesmo documento, é referido que as crianças guineenses percorrem cerca de 2,59 quilómetros a pé para chegarem à escola.

A maioria dos 744 jardins de infância tem infraestruturas com condições precárias e 80% não tem energia eléctrica. Mais de metade não tem acesso a um ponto de água.

Contudo, 62% dos edifícios são “feitos com materiais resistentes ao tempo e a acessibilidade para pessoas com necessidades especiais é possível em 41%”.

De acordo com o estudo da FEC – o primeiro levantamento sobre o ensino pré-escolar no país -, a “educação pré-escolar tem ganhado espaço e reconhecimento do Estado guineense”.

O levantamento refere ainda que a maioria dos jardins de infância é privado ou comunitário, e apenas 17% dois estabelecimentos de ensino pré-escolar são públicos.

No que diz respeito às crianças, o estudo da FEC refere que encontraram igualdade no número de meninas e meninos que frequentam o pré-escolar, o que “comprova que o abandono escolar por parte do sexo feminino acontece mais tarde, quando as meninas atingem a puberdade e ficam mais vulneráveis a situações de casamento precoce e trabalho infantil”.

No estudo também foi possível verificar que há mais escolas nas zonas urbanas do que nas zonas rurais, sendo que o Sector Autónomo de Bissau, região mais pequena do país, mas com a maior densidade populacional, tem 34% das pré-escolas, enquanto Bolama (Bijagós) e Tombali (sul) têm, cada uma, apenas 3% dos jardins de infância existentes no país.

Para a Fundação Fé e Cooperação, a caracterização do ensino pré-escolar guineense demonstra que há necessidade de uma maior intervenção, pelo que aconselha o Ministério da Educação guineense a investir na formação especializada dos professores e a reforçar a inspecção das escolas para que “todas as crianças passem a ter a mesma oportunidade de acesso ao jardim de infância”.

Além disso, insta as direcções das escolas e as comunidades a cumprirem “estritamente os requisitos impostos pelo Governo”.

Este estudo foi feito no âmbito do Programa de Apoio à Reforma do Sistema Educativo na Guiné-Bissau, promovido pela FEC em parceria com o Ministério da Educação, Ensino Superior, Juventude, Cultura e Desportos, e foi financiado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

Siga-nos

0FansCurti
0SeguidoresSeguir
0InscritosSe inscrever

Últimas notícias

Notícias relacionadas

- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.