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Reino Unido nega ter apoiado protestos violentos em Hong Kong

Reuters | Costas Pitas e Ben Blanchard

O secretário das Relações Exteriores do Reino Unido, Jeremy Hunt, disse nesta quinta-feira que não apoiou protestos violentos em Hong Kong, depois que a mídia estatal da China culpou “ideólogos ocidentais” por fomentarem o tumulto na ex-colónia britânica.

Na segunda-feira, centenas de manifestantes invadiram o prédio do Legislativo de Hong Kong após uma manifestação que lembrou o aniversário da devolução ao controlo chinês em 1997 sob a fórmula “um país, dois sistemas”, que permite liberdades inexistentes na China continental, como o direito de protestar.

A reacção ocorreu após semanas de protestos contra um projecto de lei agora suspenso que, segundo oponentes, minaria o tão valorizado Estado de Direito de Hong Kong e daria a Pequim o poder de processar activistas em tribunais da China continental, que são controlados pelo Partido Comunista.

A China intensificou uma guerra de palavras com o Reino Unido a respeito de Hong Kong, especialmente depois de Hunt alertar para as consequências de a China negligenciar os compromissos que assumiu quando recebeu Hong Kong de volta, de permitir o seu estilo de vida durante ao menos 50 anos.

A mídia estatal, em particular, culpou Reino Unido, Estados Unidos e outros governos ocidentais por oferecerem socorro aos manifestantes.

“Ideólogos de governos ocidentais nunca cessam os seus esforços de engendrar tumulto contra governos que não são do seu agrado, embora as suas acções tenham causado sofrimento e caos em países da América Latina, África, Oriente Médio e Ásia”, disse o diário estatal China Daily num editorial.

“Agora estão a tentar o mesmo truque na China”, afirmou o jornal em inglês.

Falando à rádio BBC, Hunt reiterou o seu repúdio à violência.

“Permitam-me esclarecer o que eu disse. Disse que repudiei, e nós como Reino Unido repudiamos, toda a violência e que as pessoas que apoiam os manifestantes pró-democracia teriam ficado muito desalentadas com as cenas que vimos”, disse Hunt, que almeja se tornar o próximo primeiro-ministro britânico.

A China disse que o Reino Unido não tem mais responsabilidade por Hong Kong. Londres diz que ainda considera válida a Declaração Sino-Britânica Conjunta de 1984 no tocante aos termos da devolução de Hong Kong, que garante as suas liberdades.

“Não acho que seja uma grande surpresa que a China reagiria desta maneira, mas eles precisam entender que o Reino Unido é um país que honra as suas obrigações internacionais”, disse Hunt.

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