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Água volta a jorrar nas torneiras da Centralidade do Lobito

As trezentas e sete famílias residentes na Centralidade do Lobito, província de Benguela, já voltaram a beneficiar de água canalizada, depois de três meses privadas do abastecimento, constatou esta quarta-feira a Angop, no local.

Segundo o administrador adjunto daquela urbanização, Victor Tchiteculo, o fornecimento de água aos moradores foi restabelecido desde segunda-feira, depois que a Empresa de Águas e Saneamento do Lobito superou uma avaria registada nos equipamentos do sistema de adução que transfere a água para centralidade.

Acrescentou que alguns desses equipamentos instalados pelas Águas do Lobito, nomeadamente bombas adutoras já “atingiram o tempo de vida útil”, daí a ocorrência de avarias a nível do sistema de abastecimento.

Entretanto, esclareceu que os moradores dos prédios construídos no ponto mais alto da centralidade sofrem com os “cortes” há mais tempo, uma vez que a água tem de ser bombeada através do sistema de gravidade, enquanto os da baixa deixaram de receber água apenas no dia 12 de Junho.

Como alternativa, deu a conhecer que a Administração Municipal do Lobito chegou a providenciar camiões cisternas, o que ajudou a minimizar as dificuldades de água.

A zona Alta do Lobito está a enfrentar problemas de falta de água, por isso a centralidade não está isenta, como acentua o responsável, realçando que a expectativa é a de que haja agora boa pressão no sistema de fornecimento para que os moradores tenham água sem interrupção.

Moradores agastados com falhas no fornecimento de água

Os moradores da Centralidade do Lobito manifestaram à reportagem da Angop o seu descontentamento pelo cenário vivido nos últimos dias e descreveram os vários constrangimentos por que passam quando o precioso líquido não jorra nas torneiras das casas.

Rosalina Suzeth, moradora da centralidade há quase um ano, diz sentir-se aliviada por enquanto, depois de três meses a adquirir água através de bidões de 20 litros, cada, pelo preço de 250 kwanzas, incluindo os 200 kwanzas pagos a moto-taxistas que a transportam de vários pontos.

A cidadã também receia que a água armazenada em bidões que as famílias chegaram a consumir possa vir a causar problemas de saúde, posto que foi adquirida quer através de camiões cisternas, quer de tanques privados nos bairros do Alto Liro e da Zâmbia.

“É uma água sem qualidade, porque fica muito tempo lá [no tanque] ”, confessa, admitindo que, agastados com a situação, alguns moradores querem mesmo abrir tanques ao lado dos edifícios da centralidade para conservar a água, em caso de falha, não obstante a recusa das autoridades.

Uma moradora, que pediu anonimato, contou que os moradores tinham de percorrer cerca de cinco quilómetros para atingir localidades próximas, no intuito de conseguir bidões de água potável para consumo em casa.

Segundo essa moradora, pela aquisição da água mais o aluguer de mota os moradores chegavam a gastar cerca de cinco mil a dez mil kwanzas, pagando 200 kwanzas pelo transporte e 50 kwanzas pelo bidão de 20 litros.

A fonte lamenta que o camião cisterna de cerca de 20 mil litros, providenciado pela administração local só tenha aparecido duas vezes, para “aliviar o sofrimento dos moradores”.

População exige melhoria na rede de abastecimento

“Há muitos cidadãos que já manifestaram a vontade de devolver as chaves das casas, por não suportarem as dificuldades que têm reflexo negativo no seu dia-a-dia”, avisou uma outra senhora, também sob anonimato, exigindo que as autoridades forneçam água aos moradores, que pagam no fim de cada mês 55 mil e 238 kwanzas pela compra de um apartamento T3 e 64 mil kwanzas por uma vivenda.

Lucas Katimba, outro morador, salienta que os populares da centralidade têm passado por situações piores devido à falta de água e diz ser inaceitável que um município como o Lobito, com o potencial que tem, não consiga proporcionar água aos seus munícipes.

O jovem referiu que a oferta de água nesta nova urbanização do Lobito é sazonal e até pensa que o precioso líquido só começou a jorrar por conta de “uma manifestação verbal de alguns moradores aos órgãos de comunicação social”.

“É sol de pouca dura. Nós não vamos ter água permanente ainda”, conjectura. E acrescenta que há cinco meses viveu-se uma situação idêntica. Ou seja, faltou água na centralidade, os moradores reclamaram e o fornecimento foi restabelecido logo de seguida.

Daí que Lucas Katimba defenda, tal como outros moradores ouvidos pela Angop, mais investimentos na melhoria da rede de fornecimento do precioso líquido à zona Alta e respeito pelos contratos de 64 mil kwanzas e 55 mil kwanzas mensais pelas residências.

Visivelmente indignado, aquele morador, já acostumado a guardar bidões na viatura para eventuais falhas de água, pede à Administração Municipal do Lobito que repense na situação e, em vez de uma solução paliativa, aconselha um projecto que resolva de uma vez por todas o problema.

Implantada numa área de 293 hectares, a norte da cidade ferro-portuária, a Centralidade do Lobito conta com três mil unidades habitacionais distribuídas por 856 vivendas unifamiliares de tipologia T3 e 2.144 apartamentos de dois e três pisos, para albergar uma população total estimada em 18 mil habitantes.

A Angop apurou que das três mil habitações, já foram entregues as chaves de 503. Deste número, apenas 307 estão efectivamente ocupadas.

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