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Família angolana vive há seis meses no Terminal 1 do aeroporto de Seul

(DR)

NJONLINE

Em Fevereiro The Korea Herald, um dos mais importantes jornais em língua inglesa da Coreia do Sul, dava à estampa a história dramática de uma família angolana que estava há 60 dias “entalada” num processo burocrático de pedido de asilo que a mantinha a viver num corredor do Aeroporto Internacional de Seul Incheon, situação que, seis meses depois de os Lulendo ali terem chegado, se mantém sem que se veja uma saída para este “filme”.

Faz, por estes dias, seis meses que Nkuka Lulendo e a sua família, mulher e quatro filhos, chegaram à capital sul-coreana, garante este chefe de família, para pedir asilo como forma de fugir ao perigo de vida que todos eles corriam em Angola, embora esta versão seja contrariada pela da embaixada de Angola naquele país asiático, que conta que esta família pretendia emigrar para a Coreia do Sul e, quando isso lhes foi recusado, optaram por ficcionar a condição de refugiados.

Na versão inicialmente contada pelo The Korea Herald, como o NJOnline publicou na altura, a 25 de Fevereiro, a família Lulendo, logo que chegou, a 28 de Dezembro, deu entrada de um pedido de asilo por, alegadamente, estar a ser perseguida no seu país de origem.

As autoridades sul-coreanas, justificando com a ausência de razões válidas para atribuir aos Lulendo a condição de refugiados, negou esse mesmo pedido, apesar de os quatro filhos do casal terem todo mesmos de 10 anos de idade, até porque a sua viagem foi iniciada com um visto de turista.

Impossibilitados de entrar no país, os Lulendo foram permanecendo na zona de trânsito internacional do aeroporto de Incheon (na foto, divulgada pelo Asian Boss), onde foram, devido à sua insólita situação, dando nas vistas até que uma organização de defesa dos Direitos Humanos coreana decidiu ocorrer em seu auxílio, tendo sido encontrado um advogado que, desde então, procura o sucesso na contestação à decisão oficial de proibição de entrada e da atribuição do estatuto de refugiado.

Na altura, o representante legal da família Lulendo, Lee Sang-hyun, afirmou não ser possível aceitar a decisão das autoridades nacionais – Ministério da Justiça – de que não existe uma sustentação razoável para esse pedido, visto que Angola não é um país gerido por um regime totalitário e as perseguições políticas ou étnicas são inexistentes.

“Minoria étnica”?

Mas esse não é o entendimento do próprio chefe de família, Nkuka Lulendo, que se refere a si mesmo, bem como à sua família, como membros de uma “minoria étnica” num recente vídeo divulgado pelo site de actualidade Asian Boss, produzido para fazer pressão sobre as autoridades sul-coreanas para que aceitem a condição de refugiados aos Lulendo.

A ideia do site de notícias da área do social e cultura, Asian Boss, é levar a uma massiva divulgação do vídeo de forma a que este chegue aos media de grande dimensão internacional como forma de “pressionar” o Governo sul-coreano a ceder, fazendo um pedido expresso para que as imagens divulgadas na sua página sejam partilhadas.

Neste vídeo, Nkuka Lulendo volta a contar a sua história, repetindo que o risco de vida em Angola resulta de um acidente de trabalho – era taxista em Luanda – batendo no carro de um agente da polícia.

Por ser de uma minoria étnica, conta o Asian Boss, a polícia deteve-o e foi torturado durante 10 dias, tendo a sua mulher sido violada, podendo apenas fugir devido à bondade de um outro agente da polícia que se condoeu com a sua condição e lhe permitiu escapar, endo deixado o país assim que conseguiu, estando, desde então, no Terminal 1 do Aeroporto Internacional de Seul Incheon.

Esta versão é totalmente refutada pela embaixada angolana em Seul, que, em Fevereiro, através de um comunicado, fez saber que as autoridades sul-coreanas, através de interrogatórios, consideraram os Lulendo como “imigrantes”, recusando-lhe o asilo, dizendo ainda a nota que estes forjaram claramente a condição de refugiados para podem entrar no país com os benefícios de asilados.

O tema ganhou alguma dimensão na Coreia do Sul e chegou mesmo a envolver o Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) em Seul, as autoridades nacionais, ONG locais e Lee Sang-Hyun, um advogado conhecido por defender casos de impacto social.

Actualmente, ao fim de meio ano a viver no espaço de trânsito do Terminal 1 do aeroporto de Seul Incheon, os Lulendo vivem graças a comida e outros bens que lhes são oferecidos por passageiros em trânsito, alguns já os conhecem há meses, bem como através de esquemas criados por organismos de apoio social coreanos.

Recorde-se que a lei sul-coreana aplicada a estes casos impõe que os requerentes de asilo façam o pedido e, até 7 dias após a chegada, as autoridades têm obrigatoriamente que se pronunciar, sendo que, em caso de recusa de entrada, existe ainda o direito à contestação legal dessa mesma recusa, que é o que tem mantido esta situação num limbo de indecisão, através das múltiplas acções do advogado Sang-hyun.

Os Lulendo tê poucas ligações a Angola porque Nkuka explicou também que se mudou para a República Democrática do Congo (RDC) quando ainda era jovem, tendo o episódio que o obrigou a deixar Angola sucedido depois de ter regressado a Luanda.

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