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“Nem os EUA nem o Irão querem uma guerra”

Com novas sanções de Trump, tensões entre Washington e Teerão se acirram. Apesar de um entendimento entre os dois países não estar à vista, especialistas afirmam que ambas as partes querem evitar um conflito militar.

Na segunda-feira (24/06), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que os EUA impuseram novas sanções ao Irão, de efeito imediato. Segundo o presidente, as novas medidas têm como alvo o líder supremo do Irão, o aiatolá Ali Khamenei, negando a ele e a pessoas de seu entorno o acesso a importantes recursos financeiros.

As novas sanções são o mais recente sinal de que as tensões entre os EUA e o Irão estão se acirrando. Depois que Trump cancelou de última hora um ataque aéreo contra o Irão na quinta-feira passada, em retaliação ao abatimento de um drone, ele e seus assessores deixaram claro que os EUA haviam sido cautelosos desta vez, mas que isso não significa que o Irão não tenha nada a temer.

“Nem o Irão nem outros actores inimigos devem entender a prudência dos EUA como uma fraqueza”, disse o conselheiro de Segurança Nacional de Trump, John Bolton. E o próprio presidente afirmou na segunda-feira: “Acho que mostramos muita cautela, e isso não significa que vamos mostrar isso no futuro.”

Em vez do ataque militar, aplicam-se agora sanções. Isso pode indicar que Trump prefere resolver diplomaticamente o conflito com Teerão. A República Islâmica, por sua vez, abateu “apenas” um avião não tripulado dos EUA, embora os militares iranianos, de acordo com informações próprias, também poderiam ter atingido um avião que seguia o drone.

“Está claro que nenhum dos lados quer uma guerra”, disse à DW Alex Vatanka, do think tank americano Instituto do Oriente Médio.

Ao mesmo tempo, Vatanka adverte que qualquer passo errado poderia explodir o barril de pólvora do relacionamento EUA-Irão. “É importante estar ciente de que numa situação tão tensa, com tantas peças em movimento, passos errados podem ocorrer”, afirma o especialista em segurança nascido em Teerão. “E então pode acontecer o pior.”

Desde que abandonou o acordo nuclear firmado entre o Irão e potências internacionais em 2015, Trump deixou claro querer impedir a qualquer preço que o Irão consiga uma arma nuclear. Ele quer trazer os iranianos de volta à mesa de negociações para chegar ao que ele chama de um acordo melhor, que limite Teerão por mais tempo do que o pacto de 2015.

Mas até agora, com suas sanções cada vez mais rigorosas, o presidente dos EUA só conseguiu aumentar a teimosia da liderança iraniana.

“No passado, as sanções funcionavam porque eram multilaterais e possuíam uma base diplomática”, afirma Kaleigh Thomas, pesquisadora do think tank Centro para uma Nova Segurança Americana. “Naquela época, os canais de comunicação estavam abertos para o Irã, esse não é o caso agora.”

Então, o que pretenderia Trump com as sanções contra o Irão, que até agora não deram frutos durante seu mandato? Vatanka diz acreditar que o governo dos EUA aposta na população iraniana, que está sofrendo cada vez mais com as sanções económicas.

“A melhor hipótese, que o governo Trump gostaria de ver se realizar, é que as pessoas no Irão fiquem tão irritadas com as más condições de vida que elas se rebelem e exijam uma mudança de regime”, explica o especialista em segurança. “Mas acho que isso é improvável.”

Como não se vislumbra uma mudança iminente de regime na República Islâmica, o presidente dos EUA também deve tentar, por outros meios, persuadir o Irão a negociar. Em comparação com seu conselheiro de segurança linha-dura, John Bolton, ou o secretário de Estado Mike Pompeo, o presidente Trump poderia actuar como a alternativa mais sensata de interlocutor.

“Ele pode brincar de ‘policial bom, policial ruim'”, diz Vatanka. “Ele só precisa apontar para Bolton ou Pompeo e dizer: ‘Vocês acha que sou ruim? Olhe para eles.'”

Thomas afirma que Bolton estaria mais propenso a um conflito militar, mas é Trump quem tem a última palavra. “Ele tem que mostrar ao Irão que o governo como um todo está interessado numa solução diplomática”. De outra forma, diz a especialista, o Irão não retornará tão rapidamente à mesa de negociações.

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