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Troca de cadáveres na morgue deixa familiares agastados

Familiares da malograda Elisandra Clementina exigem indemnização por parte do hospital Fotografia: Francisco Curihingana (Edições Novembro)

Os familiares de Elisandra Clementina, 30 anos, falecida na quinta-feira, dia 20, no Hospital Regional de Malanje, estão agastados com os responsáveis da morgue da unidade sanitária, devido à troca do seu cadáver, cujo funeral foi realizado, por uma igreja, no município de Cacuso, a 70 quilómetros a oeste da sede provincial, que confundiu tratar-se do corpo da sua crente.

De acordo com familiares contactados pelo Jornal de Angola, “tudo aconteceu devido a falta de atenção por parte da direcção da morgue do Hospital Regional de Malanje”, que confundiu o cadáver do seu ente-querido com outro de uma senhora, de 50 anos, então residente em Cacuso, que faleceu no mesmo dia naquela unidade sanitária.

Segundo o JA, a mulher, identificada por Teresa João, não tinha parentes próximos em Cacuso, o que levou a Igreja onde ela professava a encarregar-se de realizar o funeral, sem, no entanto, certificar-se se o corpo retirado da morgue era ou não o da sua crente.

Elisandra Clementina foi enterrada, em Cacuso, há três dias, e os familiares acusam a direcção da morgue do Hospital Regional de Malanje de falta de controlo.

“Nós temos parentes que vieram de Luanda para assistir ao funeral da nossa sobrinha. Como é possível acontecer algo assim?”, questionou uma tia da malograda que exige a exumação do corpo para realizar o funeral na cidade de Malanje.

“Nós queremos que o corpo da nossa parente apareça e a direcção do hospital terá de nos indemnizar pelos gastos que fizemos. Eles garantiram-nos que a outra família de Cacuso já estava a caminho de Malanje. Estamos aqui neste momento e os responsáveis hospitalares estão a dar muitas voltas para a solução do caso.

Nós queremos fazer o funeral, disse a fonte que vimos citando, que acrescentou: “Temos família que vieram de Luanda e deve regressar, isso representa falta de responsabilidade por parte deles.”

Maria Amélia da Costa, mãe da malograda, está desapontada com o sucedido e pede apenas que o corpo da filha apareça para a realização de um funeral condigno e que o Hospital Regional de Malanje assuma os encargos da exumação e inumação dos restos mortais. “ A minha filha foi com o cabelo cortado. Aquela senhora tinha muito cabelo, como é que trocaram a minha filha?”, questionou.

Filipe da Costa, tio da malograda Elisandra Clementina, afirma que quando o corpo da sua sobrinha foi depositado na morgue do Hospital Regional de Malanje havia na mesma câmara frigorífica o corpo de um bebé recém-nascido.

Quando a família se preparava para realizar o funeral, a gaveta estava vazia. “Isso não é justo”, desabafou o tio que exige dos serviços hospitalares responsabilidade e atenção.

O supervisor do Hospital Regional de Malanje, José Gio, reconheceu o erro cometido pela instituição, mas pede calma e serenidade à família, pois como disse, “o hospital está a fazer de tudo para proceder à entrega do cadáver aos familiares”, garantiu.

Entretanto, até ao fecho desta edição, os familiares da malograda estavam a preparar uma deslocação ao município de Cacuso, no sentido de exumarem os restos mortais de Elisandra Clementina que foram enterrados de forma errada no cemitério do município.

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