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Desertores armados da Renamo e as ameaças ao processo eleitoral

Savana

O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, mostra-se preocupado em relação às chamadas deserções de elementos da ala militar da Renamo, mas mostra-se confiante na resolução do assunto e consequente realização de eleições em ambiente de paz e tranquilidade.

A grande preocupação de Joaquim reside no facto de, neste momento, a própria Renamo não estar em altura de dizer, com algum grau de objectividade, o número de elementos que desertaram e que, neste momento, pululam sem controlo pelas matas.

“Obviamente, se são desertores deixaram de estar ao alcance do controlo da própria Renamo. É preciso saber quantos são e se são capazes de constituir um perigo” – anotou Chissano, falando a jornalistas durante o diálogo de alto nível sobre democracia e desenvolvimento em Moçambique, encontro que teve lugar na manhã desta terça-feira, na cidade de Maputo.

Conhecendo efectivamente o número de elementos desertores, Chissano disse que o governo estaria em condições de analisar se poderia controlá-los, ou então, se a própria Renamo poderia fazer este papel. São perguntas e cogitações que dependem muito, na lógica de Chissano, de se saber quantos efectivamente são.

“Isto depende de quantos são. Nós não sabemos. Vimos quatro ou cinco pessoas a falarem e não sabemos o que há por de trás deles” – anotou Chissano, recordando que aquando da luta armada, a Frelimo também sofreu deserções, mas o processo de luta não parou.

Assim, entende que a Renamo deve impor-se ao grupo e criar condições para que o processo de pacificação do país continue a trilhar passos significativos para a sua efectivação. O antigo Presidente da República falou concretamente sobre o tema Democracia e Desenvolvimento Económico em África: Desafios e Perspectivas para Moçambique.

O porta-voz dos militares que convocaram a conferência de imprensa, na semana passada, deixou claro que o grupo não vai entregar as armas antes do cumprimento integral da essência do acordo assinado entre o governo moçambicano e o falecido presidente da Renamo, Afonso Dhlakama.

O general Mariano Nhungue Chissinga alegou que o actual presidente do partido, Ossufo Momade, estava mancomunado com o governo e, por essa via, estava a rasgar o acordo assinado por Afonso Dhlakama.

O grupo exigiu, igualmente, que Ossufo Momade abandonasse o poder e, caso não o fizesse, poderia pagar com a própria vida, tendo os prazos estabelecidos irem até 15 de Julho próximo.

Entretanto, apesar de reconhecer que o discurso e a situação no seu todo seja considerada preocupante, Joaquim Chissano reiterou a ideia de que o processo eleitoral em preparação não será parado por razões relacionadas com as chamadas deserções na ala militar da Renamo.

“Já tivemos eleições com mais armas do que estas. Não vejo possibilidade de não termos eleições por haver desertores na Renamo e com armas” – indicou Chissano, concluindo que mesmo que o desarmamento tivesse já sido feito, provavelmente este ou aquele mantivesse a sua arma.

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