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Mulheres em greve na Suiça pela igualdade de género

Quase 30 anos depois da última greve feminista no país, quando foram pedidos salários iguais para trabalhos iguais, as mulheres saem de novo à rua (Denis Balibouse - Reuters)

Mulheres suíças desencadearam esta sexta-feira uma jornada de greve, em protesto contra a desigualdade salarial, a licença de maternidade mais curta e mais baixa da Europa e a violência de género. Está prevista uma concentração em frente ao Parlamento suíço.

Segundo a RTP, a Suíça é um dos países mais ricos e mais democráticos do mundo. É também um dos que garantem melhor qualidade de vida. Contudo, no que concerne à igualdade de género, parece somar críticas. De facto, apenas em 1991 as suíças puderem exercer o direito ao voto em todos os cantões. Décadas mais tarde, uma nova geração está a protestar pela falta de progresso neste campo e exige igualdade salarial.

Agora, em várias cidades, as mulheres suíças estão em greve, sob o lema “Por mais tempo, mais dinheiro e respeito!”. A ação, organizada por diversas organizações e sindicatos culminará nesta sexta-feira diante do Parlamento, em Berna.

Num país onde este tipo de interrupções laborais é extremamente raro, a participação na greve tem sido elevada. Mais de 63 por cento dos suíços dizem apoiar a greve, segundo a sondagem do grupo Tamedia, e alguns políticos já demonstraram o seu apoio. A ausência de greves deve-se à convenção “Paz no Trabalho”, assinada em 1937, segundo a qual as diferenças devem ser resolvidas através de negociações, em vez de greves.

Quase 30 anos depois da última greve feminista no país, quando foram pedidos salários iguais para trabalhos iguais, as mulheres saem de novo à rua, numa luta que garantem não ter terminado.

“A igualdade salarial ainda não foi atingida. Essa é uma boa razão para fazer greve”, disse Ruth Dreifuss, a primeira mulher Presidente do país.

Uma das ideias por trás da mobilização está numa lei sobre a distribuição salarial, adotada pelo Parlamento em 2018. A legislação é apenas aplicável a empresas com mais de 100 trabalhadores (afetando menos de um por cento dos empregadores) e não inclui sanções caso os objetivos não sejam cumpridos.

Salários desiguais num país rico

Assim, o principal motivo dos protestos é a desigualdade salarial.

Na Suíça, as mulheres ganham menos 20 por cento do que os homens, adianta o Serviço Federal de Estatística. Para mulheres e homens com qualificações iguais, a disparidade salarial continua nos oito por cento. O país oferece também a mais curta e mais baixa licença de maternidade da Europa, de acordo com a Unicef. É também um dos poucos países que não oferece licença de paternidade.

As famílias suíças são as que gastam mais dinheiro com creches no mundo e têm também uma dificuldade acrescida em encontrá-las, dadas as longas listas de espera. Por outro lado, os horários irregulares das escolas, que, por exemplo, podem fechar às quartas-feiras e à hora do almoço, dificultam a escolha de empregos em full-time para as mães. Em 2004, 75 por cento das mães trabalhavam em regime de part-time, segundo o World Economic Forum.

Devido a estes constrangimentos, as mulheres dizem-se prejudicadas na inserção no mercado de trabalho e na progressão de carreira.

Desta forma, as organizadoras do evento encorajam as mulheres que não podem tirar um dia de trabalho para participar na greve a saírem do emprego às 15h24: “Depois disso, as mulheres estão a trabalhar de graça”, disse Anne Fritz.

Esta não é apenas uma greve pela igualdade salarial, mas também pelo fim da precariedade no trabalho, mais representação nos cargos de poder e políticas familiares mais justas.

“Fazemos greve porque as mulheres ganham menos pelo mesmo trabalho, são preteridas nas promoções, têm muito pouca representação ao nível executivo e porque normalmente os empregos femininos são mais mal pagos”, lê-se no manifesto do Coletivo Zurique Greve Feminista.

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