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Navios-tanque evacuados após novo incidente no Golfo de Omã

(Emirati National Media Council/AFP / HANDOUT) O petroleiro "Al-Marzoqah", um dos quatro afetados por atos de sabotagem em 12 de maio no golfo de Omã

Dois navios-tanque que passavam pelo Golfo de Omã, perto da costa do Irão, foram evacuados nesta quinta-feira depois de um incêndio provocado por um suposto ataque, o que motivou a disparada dos preços do petróleo nos mercados internacionais.

De acordo com a France Press, o incidente, cujos detalhes são desconhecidos, foi o segundo do tipo em poucas semanas nesta zona estratégica e coincide com o aumento da tensão entre Irão e Estados Unidos. Washington já havia acusado Teerão de responsabilidade nos “actos de sabotagem” de maio.

As imagens exibidas pela televisão iraniana mostravam chamas e colunas de fumaça num dos navios.

O Irão afirmou que sua Marinha resgatou 44 pessoas, depois que os navios pegaram fogo em um “acidente”.

A Quinta Frota da Marinha americana se referiu, porém, a um “suposto ataque” e afirmou que recebeu pedidos de socorro dos dois navios.

A Autoridade Marítima da Noruega informou que três explosões foram registadas a bordo do petroleiro norueguês “Front Altair”, atacado ao lado do “Kokuka Courageous”, que pertence a Singapura.

A imprensa estatal iraniana relatou que o primeiro incidente aconteceu a bordo do “Front Altair”, às 8h50 (hora local) num ponto situado a 25 milhas náuticas de Bandar-e Jask, cidade portuária do sul do Irão.

Com bandeira das Ilhas Marshall, o navio transportava uma carga de etanol do Catar para Taiwan, segundo a agência oficial de notícias Irna.

“Quando o navio pegou fogo, 23 tripulantes pularam na água e foram resgatados por um barco próximo e entregues a uma unidade de resgate iraniana”, afirmou.

“Uma hora depois do primeiro acidente, outro navio pegou fogo às 9h50 a 28 milhas náuticas do porto”, completou a agência.

“Posso confirmar que o navio NÃO afundou”, afirmou Robert Hvide Macleo, diretor-executivo da Frontline, empresa proprietária da embarcação”, em mensagem enviada à AFP.

O “Kokuka Courageous”, com bandeira panamenha, viajava da Arábia Saudita para Singapura com uma carga de metanol. Vinte e um tripulantes saltaram na água e foram resgatados, indicou a agência Irna.

A empresa de Singapura BSM Ship Management, proprietária do “Kokuka Courageous”, afirmou que activou uma “resposta de emergência total após o incidente de segurança”.

“Os 21 membros da tripulação abandonaram o barco após o incidente que provocou danos no casco a estibordo”, afirmou.

“Um tripulante do ‘Kokuka Courageous’ ficou levemente ferido no incidente e está recebendo atendimento”, completou.

Em Tóquio, o ministro japonês da Economia, Hiroshige Seko, afirmou que um “navio transportando mercadorias relacionadas com o Japão foi atacado”, mas que a acção não deixou feridos.

O incidente coincide com a presença nesta quinta-feira no Irão do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que teve uma reunião inédita com o guia supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.

O chanceler iraniano, Javad Zarif, considerou suspeita a coincidência entre os “ataques” e a visita de Abe.

O Irão informou que enviou um helicóptero de Bandar-e Jask em direção aos navios para investigar o caso.

Os preços do petróleo dispararam, depois que o serviço de informação marítima britânico, Operações Marítimas Comerciais do Reino Unido (UKMTO, na sigla em inglês), anunciou o incidente.

O golfo de Omã fica próximo ao estratégico estreito de Ormuz, uma via marítima crucial por onde transitam diariamente quase 15 milhões de barris de petróleo e centenas de milhões de dólares em outras mercadorias.

No dia 12 de maio, quatro petroleiros – dois sauditas, um norueguês e um dos Emirados – foram atingidos por ataques ainda não explicados no golfo de Omã, perto da costa dos Emirados Árabes Unidos.

Após os incidentes do mês passado, o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, afirmou que o Irão estava por trás do ataque, mas não apresentou provas concretas.

O governo dos Emirados Árabes Unidos anunciou na semana passada que os primeiros resultados de uma investigação realizada por cinco países e entregue à ONU aponta a possibilidade de que um Estado esteja por trás das bombas, mas indicou que não há provas de que seja o Irão.

O incidente desta quinta-feira aconteceu depois que o Irão, que apoia os rebeldes huthis no Iémen, anunciou na quarta-feira o disparo de um míssil contra o aeroporto de Ahba na Arábia Saudita. As autoridades sauditas afirmaram que 26 pessoas ficaram feridas no ataque.

O Irão rejeita as acusações americanas sobre os ataques de maio, mas a Arábia Saudita, sua rival regional, considera Teerão responsável.

O rei Salman da Arábia Saudita advertiu no início do mês, em uma reunião da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), que os ataques “terroristas” na região do Golfo podem afectar o abastecimento mundial de petróleo.

A União Europeia fez um pedido de “moderação” no golfo de Omã.

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