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Pompeo promete que EUA trabalharão contra a eleição de Corbyn no Reino Unido

Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo (© AP Photo / Sait Serkan Gurbuz)

Parece que essa tão louvada “relação especial” entre o Reino Unido e os EUA é tão especial que Washington agora parece acreditar que deve ser oferecida uma opinião significativa sobre quem lidera Londres.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, foi apanhado a admitir que os EUA farão o seu “melhor possível” para evitar que o líder trabalhista britânico Jeremy Corbyn se torne o primeiro-ministro da Grã-Bretanha – mas o que é um pouco de intromissão entre amigos especiais?

Numa gravação que vazou para o jornal The Washington Post, citado pela Sputnik, Pompeo afirmou a um grupo de líderes judeus que Corbyn como premeiro-ministro é uma possibilidade real e que ele poderia “participar do desafio e ser eleito” – algo que o governo de Donald Trump parece ser contra até a morte.

Pompeo aparentemente respondia a alegações de “antissemitismo” que foram dirigidas ao líder trabalhista. Ele prometeu que os EUA “não vão esperar” até que Corbyn seja eleito para “retroceder”, porque as coisas podem ficar um pouco complicadas uma vez que uma eleição já tenha ocorrido de maneira inconveniente.

“É muito arriscado e muito importante e muito difícil [interferir], uma vez que já aconteceu”, comentou.

Não é preciso dizer que o Partido Trabalhista não aceitou com muita gentileza a intervenção de Pompeo, chamando-a de “ingerência totalmente inaceitável na democracia do Reino Unido”.

O Partido Conservador ficou notavelmente mais quieto com a intrusão na política britânica, o que é estranho, já que os aliados da premiê Theresa May geralmente são tão rápidos em denunciar a interferência estrangeira nos assuntos domésticos de outras nações.

Oficiais norte-americanos oferecendo conselhos e opiniões sobre a política nacional da Grã-Bretanha se tornaram normais nas últimas semanas, com o próprio Trump admitindo que encontrou o esquerdista Corbyn como uma “força negativa” e anunciando sua forte preferência pelo ex-secretário de Relações Exteriores do país, Boris Johnson, para ocupar o cargo após a saída de May.

Os comentários vazados provocaram uma tempestade de críticas nas mídias sociais, com muitos apontando a ironia da intervenção dos EUA na política do Reino Unido, apesar de constantemente alertar contra a chamada interferência russa em outras partes do mundo.

Foram levantadas questões sobre se Pompeo estava usando a luta contra o antissemitismo como “cobertura” conveniente para intervir em assuntos britânicos “a mando de Israel”, e por que não houve cobertura mais ampla e mais crítica da mídia sobre os comentários de Pompeo, dada a caso claro de tentativa de interferência.

Na verdade, só podemos imaginar a tempestade de críticas que seria solta nas primeiras páginas da mídia do Reino Unido se o presidente da Rússia, Vladimir Putin, oferecesse garantias semelhantes a um partido interessado de que ele faria o melhor para decidir quem seria o primeiro-ministro britânico.

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