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Irão vai exportar petróleo por vias “não-convencionais” após sanções dos EUA

O ministro iraniano do Petróleo anunciou este sábado que o país irá continuar a exportar esta substância por vias “não-convencionais”.

A decisão chega depois de, na sexta-feira, os Estados Unidos terem imposto sanções contra a maior empresa petrolífera do Irão por esta apoiar a Guarda Revolucionária Iraniana, que Trump tinha já classificado de “organização terrorista”.

“Temos vendas não-oficiais ou não-convencionais, as quais são sigilosas porque, se conhecidas, os Estados Unidos irão impedi-las imediatamente”, elucidou o ministro Bijan Namdar Zanganeh.

Segundo a RTP, o ministro do Petróleo recusou-se a fornecer mais detalhes sobre as vendas e a divulgar qualquer valor até que “as sanções sejam levantadas”, alegando ainda que o Irão “está a enfrentar atualmente as mais severas sanções da sua história”.

Na sexta-feira, a Administração Trump impôs sanções contra a maior empresa petrolífera do Irão, a Companhia Petroquímica do Golfo Pérsico, por esta apoiar financeiramente a Guarda Revolucionária Iraniana, uma divisão das Forças Armadas que em abril o Presidente norte-americano classificou de “organização terrorista”.

“Pretendemos negar o financiamento a elementos-chave do setor petroquímico do Irão que fornecem apoio à Guarda Revolucionária”, explicou ontem o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, em comunicado.

“Esta ação é um aviso de que continuaremos a usar como alvos grupos de detenção e empresas do setor petroquímico que fornecem financiamento à Guarda Revolucionária”, continuou.

De acordo com os Estados Unidos, a Companhia Petroquímica do Golfo Pérsico e as suas afiliadas são responsáveis por 40 por cento da capacidade de produção petroquímica do Irão e por 50 por cento das exportações deste país.
“Não iremos recuar”

O ministro iraniano do Petróleo declarou que o país do Médio Oriente tem cada vez mais dificuldade em ignorar os ataques norte-americanos e que as recentes sanções vêm solidificar os métodos que o Irão arranjou para os contornar.

“Pensamos confrontar as ações dos Estados Unidos e temos descoberto constantemente, e continuaremos a descobrir, novas formas de o fazer. Mantemo-nos firmes nesta guerra e não iremos recuar”, garantiu Zanganeh.

Ainda de acordo com o ministro do Petróleo, o Irão não sairá da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEC), apesar de ser tratado como um “inimigo” por alguns dos seus membros.

“O Irão não planeia sair da OPEC e lamenta que alguns membros da organização a tenham tornado num fórum político para confrontar dois dos membros fundadores, o Irão e a Venezuela”, declarou.

“E existem dois países que têm mostrado inimizade em relação a nós”, avançou Zanganeh, apesar de não mencionar que países são esses. “Nós não somos seus inimigos, mas eles revelam inimizade para connosco e utilizam o petróleo como arma contra nós no mercado global”.

A tensão entre o Irão e a Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos – ambos membros da OPEC e aliados dos EUA – atingiu o seu pico depois de os dois últimos terem anunciado que iriam aumentar a produção de petróleo de modo a compensar a redução da produção iraniana após a aplicação de sanções pelos Estados Unidos.
Irão faz denúncia à ONU

Numa carta enviada às Nações Unidas e tornada pública na sexta-feira, o Irão denunciou que as sanções dos EUA violam não apenas o acordo nuclear, mas também a resolução do Conselho de Segurança da ONU que o consagrou.

“As sanções nucleares unilaterais dos EUA, (…) desafiam a resolução 2231 do Conselho de Segurança e o Plano de Ação Integral Conjunto”, escreveu o embaixador do Irão na ONU, Majid Takht Ravanchi.

“Os Estados Unidos devem assumir total responsabilidade pelas consequências desses atos ilícitos”, conclui o embaixador.

A tentativa dos EUA de isolar economicamente o Irão começou no ano passado, quando Donald Trump se retirou unilateralmente do acordo nuclear que possuía com o país e com outras potências mundiais negociado em 2015.

Em maio deste ano foi a vez de o Irão anunciar a retirada parcial do acordo, ameaçando ainda retomar a produção de urânio enriquecido caso os restantes signatários não cumpram com a promessa de proteger os setores petrolífero e bancário iranianos.

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