Ensa
Portal de Angola
Informação ao minuto

Sonangol deve transformar-se em verdadeira empresa de petróleo

Angop

A Sonangol deve concentrar a sua actividade interna em toda cadeia de valor do sector a que pertence, declarou hoje (quinta-feira), o ministro dos Recursos Minerais e Petróleos, Diamantino Azevedo.

O ministro disse, à margem da Conferência “Angola Petróleo e Gás 2019”, que essa cadeia de valor vai desde a pesquisa, prospecção, exploração, desenvolvimento, produção, refinação, transporte, até a distribuição de petróleo.

Diamantino Azevedo, que visitava a feira de serviços e bens de conteúdo local do sector petrolífero, disse que a internacionalização da Sonangol é uma actividade secundária, pois a empresa tem muito trabalho por realizar dentro do país, a nível do “downstream” (transporte e distribuição).

Em relação à actividade de exploração e desenvolvimento, o ministro disse que foram cedidos à Sonangol alguns blocos petrolíferos para trabalhar, no âmbito da negociação directa, prevista na lei de contratação para cessão de blocos.

No âmbito da refinação, disse, a Sonangol tem a responsabilidade de velar pela parte técnica desta estratégia do sector e, associada a esta tarefa, uma missão fundamental da petroquímica entregue à petrolífera angolana.

Outra tarefa que a Sonangol tem, segundo o titular da pasta do Mirempet, é relativa ao processo de liberalização do segmento do downstream, que obriga a empresa a deixar o monopólio deste segmento da actividade produtiva. Assim sendo, a Sonangol vai ter que se preparar para ter uma presença concorrencial neste mercado.

A petrolífera angolana, que perdeu o papel de concessionária em 2019, para a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, terá que se livrar também de quase todos seus activos não nucleares (fora do objecto social) e aumentar a sua capacidade de stockagem de produtos derivados do petróleo no país.

Diante dessa realidade, o ministro sublinhou que a prioridade é a transformação da companhia numa verdadeira empresa de petróleo, que se prepara para ser competitiva neste mercado mais liberalizado e que contribua para alavancar a economia de Angola.

Para que a Sonangol se converta numa verdadeira empresa operadora ao longo de toda cadeia de valor do sector de petróleo, o ministro destacou a necessidade de mudança de mentalidade de todos os funcionários da empresa.

Estratégia de internacionalização

A empresa, na óptica do ministro, não deve descurar esta parte, mas deve partir para a internacionalização de forma sustentável e “isso passa primeiro por se organizar muito bem e por explorar o máximo o que tem que fazer no país.

O domínio internacionalização para a Sonangol, conforme afirmou, deve ser atacado quando for efectivamente rentável para a firma e contribua para a estratégia da sua rentabilização.

“A minha posição primária é que a Sonangol deve se concentrar mais na actividade interna. Nós temos muito que fazer no nosso país. É por isso que nós estabelecemos um novo modelo de governança do sector dos petróleos e traçamos um novo perfil e funções para a Sonangol”, reforçou Diamantino Azevedo.

Conteúdo local

O Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos (Mirempet) lançou, por um lado, uma iniciativa de melhoria da legislação, sobre o conteúdo local, e está a trabalhar com os interessados neste sentido.

Por outro lado, disse, continua a fortalecer as empresas angolanas que efectivamente prestam um serviço importante para o sector.

Sobre esta questão, o ministro disse que a pretensão é, acima de tudo, ter empresas de conteúdo local competitivas, eficientes e que consigam inserir-se neste mercado, ganhar espaço e, também, internacionalizar-se.

Referiu que o sector tem empresas de conteúdo local a fazerem um bom trabalho e esta é a sustentação para se continuar a abordar esta questão.

Realçou também que a indústria do petróleo é globalizada e internacional e não se deve ver apenas o conteúdo local numa perspectiva isolada de outras contribuições de fora.

“Nós encaramos a questão do conteúdo local de forma holística, não queremos segmentar os aspectos do conteúdo local”, disse o ministro, salientando que pretende-se partir de empresas locais que já fornecem serviços ao sector e que já existem em termos de capital humano.

O governante disse ser necessário melhorar a qualidade da participação do conteúdo local no processo produtivo do sector de petróleo ao longo de toda cadeia de valor. Para tal, disse, tem que se melhorar ainda mais a qualidade dos técnicos angolanos e também a competitividade das empresas do conteúdo local.

O fim último desses objectivos todos é obter-se melhores resultados e também que o aproveitamento desta “commodity (petróleo) traga mais benefício para o povo angolano.

Estabilidade do preço do petróleo

Quanto à questão da estabilidade do preço do petróleo no mercado, o ministro disse ser um assunto que lhe preocupa, mas que não tem uma influência fundamental a sua subida ou baixa.

“ A volatilidade do preço do petróleo não é apenas uma variável técnica, mas também geopolítica e temos que nos preparar para conviver com ela. Não temos outra solução”, explicou.

Diamantino Azevedo considerou positiva a realização da Conferência Angolana de Petróleo e Gás”.

Também pode gostar

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está bem com isso, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia mais

Translate »