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Seis mil guardas. México cede a Trump com reforços à porta da Guatemala

O reforço do dispositivo na fronteira com a Guatemala foi confirmado em Washington pelo ministro mexicano dos Negócios Estrangeiros, Marcelo Ebrard (Jose Torres - Reuters)

Perante a ameaça, por parte da Administração Trump, da imposição generalizada de taxas aduaneiras, o Governo do México decidiu destacar seis mil operacionais da Guarda Nacional para muscular a fronteira com a Guatemala. O objetivo, admitiu nas últimas horas em Washington o ministro mexicano dos Negócios Estrangeiros, é conter migrantes em trânsito para os Estados Unidos.

Uma taxa de cinco por cento – que poderá ser agravada até 25 por cento até outubro – sobre a totalidade dos produtos com origem no México. É esta a ameaça, a concretizar no início da próxima semana, que o Presidente norte-americano faz pender sobre os vizinhos meridionais.

Na noite de quinta-feira, em declarações à cadeia televisiva Fox News, Donald Trump martelou a imagem de uma “invasão sem canhões” de clandestinos. O poder político mexicano dá sinais crescentes de cedência, ao verter milhares de operacionais sobre o Estado de Chiapas.

Há notícia de pelo menos 1200 migrantes bloqueados, na passada quarta-feira, ao chegarem à linha de fronteira com a Guatemala, no sul do México, para onde foram destacados seis mil efetivos da Guarda Nacional.

A par do reforço do dispositivo de segurança, a Presidência de Andrés Manuel López Obrador sancionou o congelamento de contas bancárias de 26 alegados traficantes de indocumentados. Foi também repatriada uma centena de hondurenhos. Houve ainda detenções de ativistas dos direitos dos migrantes.

Obrador diz-se “otimista” quanto à possibilidade de chegar a um entendimento com o homólogo dos Estados Unidos. O Presidente mexicano, que no domingo se propunha preservar “a bonita e sagrada amizade” com o país vizinho, anunciou entretanto a intenção de se deslocar ele próprio à fronteira com a Guatemala. Pela “dignidade do México”.

Em Washington, para procurar persuadir a Administração Trump a dar um passo atrás no xadrez protecionista, está o ministro mexicano dos Negócios Estrangeiros, Marcelo Ebrard, a quem coube a confirmação do reforço do dispositivo fronteiriço.

De acordo com a RTP, as medidas destinadas a apaziguar Trump não deverão ficar por aqui. O jornal norte-americano The Washington Post noticiou que o México já se comprometeu a erguer centros de retenção e postos de controlo adicionais.

Ao mesmo tempo, os negociadores estudam uma reformulação das regras de concessão de asilo, de forma a que os pedidos sejam processados uma vez cruzada a primeira fronteira, tomando como exemplo o sistema da União Europeia.

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