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Detenção de imigrantes no sul dos EUA atinge novo pico de 144 mil pessoas

Imigrantes esperam a transferência para instalações de transição em New México, EUA, onde planeiam pedir asilo depois de terem passado a fronteira ilegalmente. (Reuters)

RTP | Graça Andrade Ramos

Mais de 144 mil migrantes ilegais foram detidos durante o mês de maio de 2019 na fronteira que separa Estados Unidos e México. É um pico nos registos, publicado poucos dias depois do Presidente norte-americano prometer ao seu homólogo mexicano a aplicação de sanções económicas, se não forem tomadas medidas eficazes contra a pressão migrante.

Donald Trump fez a ameaça na semana passada. Disse ao México para adotar uma linha dura com a migração ilegal, sob pena de ver agravadas em cinco por cento as tarifas alfandegárias sobre todos os produtos que exporta para os EUA.

Este aumento poderá chegar aos 25 por cento no final do ano.

Terça-feira, Trump fez saber que esperava impor as novas taxas já a partir de segunda-feira. Horas depois, no início de uma visita de dois dias à Irlanda, admitiu que a ameaça poderá não se concretizar.

“O México, sabem, quer fazer um acordo. Têm a sua delegação inteira neste momento provavelmente a caminho de um local na Casa Branca, para negociar com os nossos”, disse Trump aos repórteres.
Milhares de pessoas oriundas de países da América Central, escolhem semanalmente a via terrestre para chegar à fronteira dos Estados Unidos com o México.
A recente estratégia dos migrantes é tentar passar para os EUA e aí pedir asilo. Têm estado a ser instalado em locais de acolhimento em New Mexico, enquanto esperam resposta.

A migração ilegal é uma das pedras no sapato das relações entre os dois países, que se tornou mais desconfortável desde que Trump assumiu a presidência, prometendo construir um muro para a deter.

A falta de apoio democrata tem impedindo Donald Trump de obter o financiamento necessário para erguer o muro, pelo que o Presidente tem recorrido a uma pressão crescente sobre o Presidente mexicano, para que este tome medidas para deter a onda migratória.

“O México pode para-la, tem de a parar”, considerou esta quarta-feira Donald Trump. “Caso contrário, não poderemos fazer negócio. É uma coisa muito simples. E penso que eles irão para-la. Penso que querem fazer um acordo, e enviaram as suas melhores pessoas para tentarem e faze-lo. Veremos o que acontece hoje. Deveremos saber alguma coisa”, acrescentou.
Reunião em Washington

A estratégia de Trump mistura duas das suas maiores promessas de campanha, sobre a migração e o comércio justo.

A Administração Trump exige que o México acolha do seu lado os requerentes de asilo, combata os contrabandistas de pessoas e aperte o controlo sobre os migrantes. O ministro mexicano dos Negócios Estrangeiros já recusou a primeira das exigências, conhecida como estatuto “seguro num país terceiro”.

A delegação mexicana vai tentar persuadir a Casa Branca em negociações lideradas pelo vice-presidente Mike Pence, de que o seu Governo já fez o suficiente para conter a imigração.

Na sua conferência de imprensa matinal, o Presidente mexicano, Andres Manuel Lopez Obrador, mostrou-se otimista quanto à possibilidade de um acordo que evite o agravamento das taxas. Não está contudo de mãos atadas.

De acordo com quatro fontes diferentes, Obrador já tem na sua secretária uma lista dos produtos americanos que verão as suas tarifas alfandegárias agravadas, em retaliação. Uma das fontes precisou que o Presidente mexicano ainda não tomou qualquer decisão.
Acordo em breve

A pressão de Trump não foi bem acolhida no campo democrático. Os republicanos confiam por seu lado que um acordo será alcançado. O México irá oferecer “uma longa lista de coisas” para evitar o agravamento das tarifas, disse o presidente do comité das Finanças do senado, o republicano Chuck Grassley.

O acordo poderá até ser anunciado já quinta-feira à noite, admitiu Grassley aos jornalistas.

A candidata à nomeação presidencial pelos democratas, Elizabeth Warren, aproveitou por seu lado a crise para fazer campanha e criticar Trump.

O Presidente está “a lançar setas à toa”, sem uma “estratégia coerente”, afirmou. “Não está a ajudar ninguém”, disse aos jornalistas após uma ação de campanha em Elkhart, Indiana.

“Sejamos claros – política tarifária por tweet não resulta”, afirmou. “Aumentar as tarifas à toa numa mão cheia de produtos sem política coerente e faze-lo nação a nação, não faz qualquer sentido”, referiu a senadora pelo estado de Massachussets, referindo-se à estratégia assumida pela atual Administração americana também contra a China.

Momentos antes, perante cerca de 600 pessoas, Warren tinha criticado as empresas que estão a levar a sua produção para o estrangeiro, ecoando o próprio Presidente, mas criticando a forma como Trump tem resolvido a questão.

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