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Cardeal Pell apela na Austrália contra condenação por agressão sexual

George Pell (DR)

AFP

O processo de apelação da sentença contra o cardeal australiano George Pell, ex-número dois do Vaticano, condenado em primeira instância por agressões sexuais contra menores entre 1996 e 1997, começou nesta quarta-feira, num tribunal de Melbourne.

Pell, de 77 anos, e seus advogados alegam que a sentença proferida em Dezembro por cinco casos de agressão sexual contra duas crianças, membros de um coral na catedral de Melbourne, era questionável porque se baseava apenas no testemunho de uma única vítima sobrevivente.

Além disso, alegam, o juiz desconsiderou evidências da defesa no processo.

Ao chegar nesta quarta-feira para se apresentar a três juízes do tribunal, Pell vestia o colarinho clerical.

Uma das vítimas de Pell morreu de overdose em 2014 e nunca revelou os abusos.

O juiz de primeira instância Peter Kidd disse que os crimes de Pell foram “descarados”, “desagradáveis” e um abuso de poder “extremamente arrogante”.

Uma segunda série de acusações contra o dignatário de 77 anos – derivados de supostos abusos em uma piscina na década de 1970 -, foi retirada no começo deste ano.

As audiências da apelação estão previstas para quarta e quinta-feira, embora os três juízes vão ter pela frente um processo que pode se estender por várias semanas antes de tomar uma decisão.

Os três juízes podem rejeitar a apelação, determinar um novo julgamento ou absolver Pell, mas qualquer decisão só poderá ser apelada na suprema corte australiana.

Antes das audiências desta quarta-feira, os três juízes visitaram a Catedral de Melbourne para tentar entender as evidências que serão consideradas.

A defesa alega que os tempos em que teriam ocorrido as agressões sexuais são impossíveis, se considerados os deslocamentos dentro da catedral.

A sessão de apelação na Suprema Corte de Melbourne, que será transmitida ao vivo, despertou expectativas entre seus partidários, que acreditam que foi um bode expiatório e não teve um julgamento justo.

O caso será presidido por três juízes: a presidente da Suprema Corte do estado de Victoria, juíza Anne Ferguson, o presidente da Corte de Apelações, o juiz Chris Maxwell e o juiz Mark Weinberg.

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