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Mortes na fila de espera do Evereste

O americano Christopher Kulish tornou-se segunda-feira a 11.ª vítima do monte Evereste este ano, encontrando a morte na descida depois de atingir o cume do Teto do Mundo.

É o nono falecimento na vertente nepalesa, a que se somam dois do lado do Tibete, um recorde quando comparados com os cerca de 300 registados desde 1922.

De acordo com o JN, o que explica tão elevado número de mortes não são as avalanches, mas sim a fila para chegar ao cume do Evereste. Todos os dias, centenas de pessoas ficam à espera no gelo durante várias horas.

Como aconteceu com o indiano Nihal Bagwan, que no dia 23 de maio ficou bloqueado mais de 12 horas no tráfego de alpinistas. Segundo contou o seu guia local (“sherpa”) à AFP, o alpinista ficou sem energia na descida do cume e teve que ser trazido em ombros para o acampamento, onde acabou por falecer.

Uma das imagens que retrata o caos foi tirada pelo alpinista Nirmal Purja no dia 22 de maio. O nepalês conta que, nesse dia, cerca de 320 pessoas estavam à espera para subir ao topo. Purja deparou-se com a realidade do turismo de montanha no Nepal.

Licenças a rodos

Só nesta primavera foram concedidas 381 licenças para escalar pela vertente nepalesa, sabendo-se que cada pessoa é obrigatoriamente acompanhada por um sherpa. Do lado tibetano foram atribuídas 140 licenças. Estes números ultrapassem o recorde de 2018, ano que somou 807 pessoas.

O documentarista canadiano Elia Saikaly também publicou imagens na redes sociais, fazendo-as acompanhar de um testemunho duro. Nas últimas horas da subida, viu “morte. Massacre. Caos. Fila de espera. Cadáveres no caminho e nas tendas do acampamento 4”.

O norte-americano Ed Dohring contou que teve de contornar o corpo de uma mulher que tinha acabado de morrer, num momento “assustador”. “Era como um zoo”, diz. Tal como o era a imagem à chegada ao topo: estavam 20 pessoas de cada vez na parte plana do cume, que é do tamanho de duas mesas de pingue-pongue – três metros de largura por 5,5 de comprimento.

A concessão excessiva de licenças deve-se não só ao dinheiro que rendem ao Nepal (quase dez mil euros), como ao facto de muitos alpinistas não terem experiência.

Acabam por ficar demasiado tempo na “zona da morte”, situada a quase 9000 metros de altitude, onde o oxigénio se torna mais raro. As garrafas de oxigénio com que vão equipados só têm capacidade para permitir a subida e a descida do Evereste e não para ficar horas à espera de vez.

Perante o drama, os alpinistas e os guias instam o Governo nepalês a um maior controlo na concessão de licenças e na avaliação dos candidatos.

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