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Petróleo não vai ser o motor de crescimento de Angola, diz consultora

(© Sputnik / Evgeny Biyatov)

Mercado

Os dois milhões de barris diários, projecção do Executivo, é ambicioso demais, afirma a IHS Markit.

A consultora internacional IHS Markit considera que o sector do petróleo não vai conseguir continuar a ser o principal motor do crescimento económico de Angola a longo prazo, devido à descida dos níveis médios de produção.

“A IHS Markit assume que os níveis gerais de produção de petróleo não devem chegar ao objectivo de dois milhões de barris diários que o Governo tinha; ao invés, assumimos que a produção de petróleo em Angola vai continuar relativamente estagnada à volta dos 1,5 milhões de barris no longo prazo, desde que alguns programas de expansão da capacidade petrolífera sejam implementados”, escrevem os analistas numa nota onde olham para a economia de Angola a longo prazo.

“Os preços mais baixos do petróleo têm empurrado as companhias petrolíferas para adiarem ou mesmo cancelarem os seus planos de exploração de investimentos nas águas ultra profundas de Angola, e por isso o Governo, em resposta, ofereceu inventivos fiscais e operacionais para manter a viabilidade dos projectos e proteger a futura produção de petróleo e gás”, dizem os analistas.

As companhias petrolíferas têm, nos últimos meses, feito um conjunto de anúncios de novas apostas em Angola, não só na área do petróleo, mas também no gás, na sequência da alteração das condições económicas, políticas e fiscais de operação no país, mas o Governo mantém a aposta na diversificação económica para evitar a dependência a este sector e a exposição às vulnerabilidades internacionais.

“A diversificação económica vai continuar a ser necessária para alargar o potencial de crescimento económico, a tributação nacional e o perfil de receita fiscal em moeda estrangeira”, apontam os analistas, lembrando que o Plano Nacional de Desenvolvimento prevê uma quebra do Produto Interno Bruto petrolífero de 1,8% entre 2018 e 2022 e um crescimento da economia na ordem dos 3%, ao passo que o sector não petrolífero deverá registar um crescimento médio de 5,1% nestes anos, puxado pelas expansões de 9,8% da agricultura, 6% da manufactura e 3,8% na construção.

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