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Busca de mandantes dos ataques no norte de Cabo Delgado

Jovens radicais sonham com califado em Mocímboa da Praia (DR)

Savana

Trapalhada policial já inclui chefes do garimpo ilegal

Depois de André Hanekon, de ugandeses e de jornalistas, o Comandante-Geral da Polícia diz agora que o grupo é financiado por chefes de garimpeiros ilegais corridos de Montepuez

O Comandante-Geral da Polícia da República de Moçambique, Bernardino Rafael, anunciou, na sexta-feira da semana passada, no distrito de Montepuez, província de Cabo Delgado, uma nova conclusão em torno do “trabalho investigativo” sobre a génese e objectivos dos grupos armados que, desde Outubro de 2017, têm estado a aterrorizar várias aldeias daquela província. É uma nova descoberta em torno de quem afinal são os mandantes da destruição e chacina em curso.

Com efeito, depois de as culpas terem recaído sobre Andre Hanekon, mais tarde em um grupo de dois cidadãos ugandeses detidos em Nampula, agora o Comandante-Geral da Polícia diz que, afinal, os financiadores da organização que tem estado a plantar terror são (também) chefes de garimpeiros.

E explica: São garimpeiros expulsos do garimpo ilegal em Montepuez, particularmente em Namanhubir, numa operação das Forças de Defesa e Segurança que teve lugar em Abril de 2017.

De acordo com Bernardino Rafael, seis meses depois de expulsos de Namanhumbir, os chefes do grupo zangaram-se e juraram virar inimigos do “desenvolvimento de Moçambique”. É assim que decidiram criar e financiar grupos atacantes.

“Foram esses que estavam como cabecilhas dos criminosos que pegavam a nossa pedra (pedras preciosas) aqui e iam entregar no litoral para iniciar viagem de trafico para fora do país, tudo a partir daqui (Montepuez). Eram garimpeiros, sobretudo os cabecilhas, eram eles que comercializavam as nossas pedras preciosas, particularmente o rubi. E com o ódio por causa da operação que nós fizemos contra o garimpo, começaram a combater-nos. Viraram nossos inimigos” – explicou Bernardino Rafael, a uma audiência composta pela população local. A reunião dirigida pelo Comandante-Geral visava pedir colaboração da população na manutenção da segurança e ordem públicas.

O chefe executivo da Polícia da República de Moçambique até sabe como é que as transferências monetárias para o pagamento do serviço de terror, assim como para aliciar novos jovens para o grupo são feitas. Diz que maior parte das transferências, senão todas, acontece via mpesa, um serviço de pagamentos móvel bastante usado no país.

“Nós temos que ser vigilantes, desmantelar, combater e denunciar essas pessoas que transferem valores através de mpesa aqui em Montepuez para os malfeitores. Temos que desmantelar aqueles que querem recrutar jovens para fileiras dos malfeitores” – exigiu o dirigente.

Nesta ordem de ideias, Bernardino Rafael sugere mais vigilância no sentido de se impedir que o grupo faça transferências monetárias via mpesa para os atacantes. Só assim é que se pode acabar com a situação, segundo entende ele.

“Só a partir do desmantelamento nas cidades e vilas e, sobretudo aqui (Montepuez), podemos controlar aqueles indivíduos que assassinam, matam e queimam residências dos moçambicanos” – acrescentou.

Em finais do ano passado, o Presidente da República e Comandante em Chefe das Forças de Defesa e Segurança insurgiu-se em torno do facto de os atacantes continuarem as suas incursões sem que as autoridades saibam, objectivamente, as reais causas, interesses, motivações e reais financiadores da organização criminosa.

Depois da crítica de Filipe Nyusi, a Polícia não conseguiu trazer informação substancial. Trouxe, isso sim, Andre Hanekon e, mais tarde, dois homens de nacionalidade estrangeira detidos em Nampula. Mais tarde juntou jornalistas aos grupos atacantes e instigadores de violência.

Tendo em conta os resultados que eram publicamente apresentados, a investigação das autoridades mais pareciam acções de busca, a todo o custo, de quaisquer rostos para amainar as críticas públicas.

Aliás, em torno disso, sem matéria para iniciar a instrução contraditória do processo contra “jornalistas instigadores da violência” em Cabo Delgado, uma das secções do tribunal provincial decidiu adiar a audição dos acusados, no caso, os dois jornalistas da Rádio Comunitária Nacedje.

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