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Estrada Camama-Calemba 2 requer intervenção urgente

Há muito que o asfalto cedeu lugar aos buracos gigantescos que leva até os camiões a guinchar (Fotografia: Mota Ambrósio| Edições Novembro)

O Calemba 2 é uma rua íngreme de muita poeira e numerosos buracos. É também conhecido pelos enormes engarrafamentos. Há sete meses foi um lugar de venda ambulante. A situação ficou para o passado, graças à Operação Resgate, agora amortecida, que retirou as bancadas ao longo da faixa de rodagem.

Ninguém resiste à poeira. É impensável regular o trânsito. Agentes da polícia demarcam-se de um violento pó, que destoa do ambiente e mancha paredes inteiras de armazéns com a cor de barro. Do viaduto (rotunda) da Camama à Calemba 2 são três quilómetros. De carro,
o percurso é feito com elevada lentidão e pode durar 15 minutos, ao invés de quatro minutos.

Um jovem de camisola vermelha e calças cor de camaleão aproxima-se, com um caderno e uma caneta em mãos, à entrada do armazém. Nicolau Mavakala, 21 anos, é um dos gerentes preocupados com a vida dos grossista do Calemba 2. Ele mora ao redor, por isso percebe das dificuldades da população.

Em tempo de chuva, as águas e os buracos inviabilizam o trânsito. Os camiões com contentores são impossibilitados de deixar a
mercadoria aos comerciantes. Os clientes têm dificuldade de atingir os armazéns para fazer compras. Nem com o Cacimbo, as dificuldades chegam ao fim. Pelo contrário. Alguns camiões evitam transitar naquela via por risco de acidente. As prateleiras com produtos, sobretudo alimentares, são invadidos pela poeira.

O comerciante Gabriel Yaname é estrangeiro e não percebe bem o português. Fala melhor a língua inglesa. De camisa pintalgada e debruada, Gabriel explica que o mau estado da via tem sido causador de elevados engarrafamentos.

“Perdemos muito com o mau estado desta estrada. Faltam mercadorias e clientes na loja”, diz.

Quando chove, os clientes não conseguem atravessar, porque a água toma o areal e os buracos da estrada. Em alguns pontos, ainda se observa uma zona lamacenta, onde os carros minúsculos trepidam.

Mas os comerciantes Mavakala e Yaname lançam algumas preces: “Pedimos que o Governo asfalte, o mais rápido possível, a estrada, para podermos trabalhar à vontade”.

A pior fase é mesmo a chuvosa, contam os moradores e automobilistas. O caminho torna-se completamente degradado. Os transeuntes vêem-se atados para apanhar táxi. os condutores fogem para evitar avultados gastos com a reposição de peças, causados pelos buracos. A escassos 70 metros do Calemba 2, para quem vai a Viana, já não existe um pedaço de asfalto. Os buracos têm alguma profundidade, que obriga os automobilistas a escalarem uma pequena montanha em retalhos.

A rua perdeu algum movimento, embora ligue os municípios de Viana, Talatona, Belas e Kilamba Kiaxi. Há, no local, quatro paragens de táxis, cujos destinos são os bairros dos referidos municípios. As paragens, na maior parte das vezes, estão instaladas na faixa de rodagem. Um agente da polícia de trânsito caminha a passos de lebre de um lado para outro, no afã de tentar organizar. O esforço é em vão. Só existem buracos e poeira, pois nenhum taxista quer parar fora da estrada e quebrar as molas da viatura.

Em cinco minutos é possível observar o interior do nariz coberto de pó. Os carros que fazem serviço de táxi (turismos e carrinhas) ficam banhados de poeira.

Manhã de sol ténue e uma confluência de clientes, vendedores ambulantes e grossistas. As nuvens parecem claras para alegria de quem faz comércio na zona, de quem faz a zunga (venda ambulante) e de quem faz táxi naquele percurso. Algumas ruas serpenteadas, que dão até aos bairros, foram transformadas em mercados informais, aguardando por uma nova operação, ainda sem nome e data. Por ali, os carros deixaram de circular faz tempo. Os moradores com viaturas vêem-se impossibilitados de entrar.

O taxista Vasco Gabriel tem dois passageiros no interior do seu carro. Destino: Luanda Sul (Viana). Ele conta que faz táxi, há cinco anos, na referida via, mas algumas vezes não consegue completar o dinheiro do patrão, devido aos engarrafamentos e buracos. A conversa já dura 30 segundos. Mal termina, dois abandonam o táxi. Alguma impaciência e pressa à mistura. As desculpas reiterados do repórter, só mereceram um aceno da cabeça do motorista.

A estrada do Calemba 2 já sofreu, no passado, obras paliativas, que depois de uma chuva, voltou a degradar-se.
Henriques Branco é um veterano taxista, na casa dos 50 anos, de barbas longas e brancas.

Numa voz gutural, o automobilista insiste: “quando chove trabalhamos com dificuldade, porque a rua enche. Quando não chove também passamos mal, porque os carros estragam”.

O olhar de Branco está na “pesca” de passageiros e poucas vezes fita o repórter. Ele acrescenta que as peças da sua viatura são caras e, nesta altura, tem de mudar as três rótulas, adquiridas há um mês.

O jovem Gabriel e o ancião Branco convergem: “Fechar a conta do patrão (dono do carro), utilizando a via do Calemba 2 nem sempre é possível”.

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