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Empresa de Bastos de Morais citada em caso de lavagem de dinheiro na RDC

Relatório "Capital Encoberto: o banco secreto da família Kabila" revela ligações com antigo Presidente da RDC (DR)

A companhia Quantum Global, que esteve associada ao Fundo Soberano de Angola, ofereceu-se para emprestar dezenas de milhões de dólares a uma companhia congolesa ligada ao antigo Presidente da República Democrática do Congo (RDC) Joseph Kabila, acusada de ser um meio para lavagem de dinheiro de dirigentes do país.

Segundo avança a VOA, a denúncia é feita pela The Sentry, uma organização fundada por George Clooney e John Prendergast, que investiga a corrupção em África e as redes transnacionais que se beneficiam do fenómeno, e com sede em Washington.

O relatório, intitulado “Capital Encoberto: o secreto banco de investimento da família Kabila”, publicado neste mês, relata que um representante da Quantum Global informou a companhia congolesa, Kwanza Capital, que os fundos viriam de um fundo soberano de um país não especificado.

O director executivo da Quantum Global, o suíço-angolano Jean Claude Bastos de Morais, “esteve aparentemente directamente envolvido nas negociações do acordo, juntamente com até dois outros membros seniores da Quantum Global”, acrescenta o documento que relata depois a controvérsia em redor da companhia no seu envolvimento com o Fundo Soberano de Angola.

O financiamento da Quantum Global teria como objectivo ajudar membros da família Kabila e seus aliados a adquirirem a maioria das acções no BCDC, um dos maiores bancos comerciais da RDC, detida por uma família belga.

Desconhecimento dos fundos

Esta família, entretanto, negou uma primeira oferta de 50 milhões de dólares pelas suas acções porque, entre outras razões, alegou que “não podia verificar se a origem dos fundos era legítima”.

“Alguns dos fundos para a compra tinham sido desviados dos cofres do Governo”, revela o relatório que cita uma fonte não identificada “com conhecimento do negócio”.

“Face a este falhanço, a família Kabila e os seus aliados terão estabelecido a Kwanza Capital, uma companhia de fachada para efectuar aquisições no sector bancário”, continua o documento do The Sentry, que afirma que a Kwanza Capital voltou a fazer uma proposta para a compra daquele banco “tentando resolver preocupações sobre a origem dos fundos através de um financiamento externo”.

“De acordo com fontes familiarizadas com a segunda tentativa, a companhia de investimento sediada na Suíça, Quantum Global, ofereceu à Kwanza Capital um empréstimo de entre 70 e 80 milhões de dólares para financiar a aquisição das acções da família Forrest no BCDC”, diz o documento que acrescentando que “o dinheiro para o empréstimo viria de um fundo de investimento africano não especificado”.

O documento sublinha ainda as relações de Jean-Claude Bastos de Morais com Joseph Kabila e publica uma foto de ambos.

Controlo de bancos na RDC

Esta segunda tentativa para adquirir a maioria das acções do banco também não teve sucesso, garante o relatório, afirmando ainda que uma análise às contas da Kwanza Capital “revelam vários indícios de lavagem de dinheiro” e ainda indícios de que companhias envolvidas com a Kwanza Capital teriam recebido “milhões de dólares desviados de fundos do Governo”.

O documento descreve que as tentativas da Kwanza Capital para controlar bancos na RDC constituíam “um elemento crucial do sistema cleptocrático do Congo, dando aos indivíduos envolvidos no sistema os meios de lavar os lucros da corrupção desenfreada”.

Recorde-se que Jean Claude Bastos de Morais e o antigo presidente do Fundo Soberano de Angola, José Filomeno Santos, estiveram em prisão preventiva durante seis meses, acusados de má gestão dos fundos da instituição do Governo angolano.

Enquanto o director da Quantum Global chegou a acordo com a Procuradoria-Geral da República para que Bastos de Morais abandonasse o contrato que mantinha para gerir valores do Fundo Soberano, enquanto o Estado recuperava cerca de dois mil e 350 milhões de dólares domiciliados em bancos no Reino Unido e das Ilhas Maurícias em contas da empresa.

Santos, por seu lado, está em liberdade com Termo de Identidade e Residência, enquanto aguarda o desenvolvimento de processos movidos contra ele pela PGR.

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