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Caos do Brexit cresce em meio à eleição europeia

Após ver rejeitada por três vezes no Parlamento a sua proposta de um acordo para deixar a UE, as coisas devem piorar para Theresa May com os resultados das eleições europeias. A primeira-ministra pode estar com dias contados.

De acordo com a DW África, a primeira-ministra britânica, Theresa May, está a encarar a perspectiva da sua carreira política chegar a um fim inglório, depois que sua última tentativa de salvar seu impopular acordo do Brexit foi condenada quase unanimemente pelo Parlamento nesta quarta-feira (22/05) em Londres.

A sitiada primeira-ministra parece vivenciar os últimos suspiros de um mandato tumultuado, concentrado exclusivamente em orientar a saída de um Reino Unido dividido para fora da União Europeia (UE).

Mas três rejeições parlamentares esmagadoras dos termos que ela acordou com os outros 27 países-membros do bloco europeu, no ano passado, forçaram Londres a perder a oportunidade de sair na data original, em 29 de Março, e implorar por mais tempo.

Membros ansiosos do partido de May se reuniram a portas fechadas na quarta-feira para discutir mudanças nas regras que permitiriam que eles votassem uma moção de desconfiança contra a primeira-ministra nos próximos dias.

Os infortúnios da chefe de governo foram agravados quando Andrea Leadsom – uma das mais fortes defensoras do Brexit no gabinete governamental – pediu demissão do cargo de representante do governo no Parlamento diante da forma que May lidou com a crise, que se desdobrou lentamente.

“Eu não acredito mais que nossa abordagem responda aos resultados do referendo [de 2016]”, disse Leadsom em sua carta de demissão.

May está agora a pagar o preço por não atender aos desejos dos eleitores que escolheram por uma margem estreita, em 2016, rescindir o seu difícil envolvimento de quatro décadas no projecto de integração europeia.

Seus correligionários conservadores devem sofrer perdas nas eleições para o Parlamento Europeu que se iniciam nesta quinta-feira e vão até domingo, nas quais o novo Partido do Brexit, do populista eurocético Nigel Farage, está na frente nas pesquisas de opinião.

May já prometeu renunciar, não importa o resultado da sua quarta tentativa de levar a sua nova versão do acordo do Brexit para votação no Parlamento no início de Junho.

Mas mesmo esse sacrifício – e um pacote de bondades divulgado na quarta-feira, que incluiu uma chance para os legisladores obterem um segundo referendo sobre o Brexit – não conseguiu amenizar a pressão.

“É hora de a primeira-ministra partir”, disse a May Ian Blackford, do pró-europeu Partido Nacionalista Escocês, quando ela tentava defender a sua mais recente proposta no Parlamento.

May ignorou a sugestão e preferiu convocar a votação da última chance do Reino Unido para deixar a UE com um acordo negociado, evitando assim o caos económico.

O Parlamento deve “parar de fugir da questão e enfrentar a tarefa que os britânicos nos incumbiram de fazer”, disse ela.

Nos próximos dias e semanas, as coisas parecem que vão piorar ainda mais para Theresa May.

As eleições europeias estão a ser interpretadas no Reino Unido como um referendo tanto sobre o Brexit quanto sobre a capacidade de May realizar a sua principal tarefa.

Uma pesquisa do instituto de opinião YouGov mostrou na quarta-feira que o Partido do Brexit, de Farage, possui o apoio de 37% do eleitorado britânico.

O grupo de liberais-democratas pró-europeus vem em segundo lugar, com 19%. O Partido Trabalhista, principal legenda de oposição, contou com 13%, e os conservadores de May vieram em quinto lugar, com apenas 7% da intenção de votos.

“Se vencermos essas eleições e as vencermos bem, teremos um mandato democrático”, disse Farage nesta quinta-feira.

O líder do Partido Liberal Democrata, Vince Cable, disse a seus apoiantes que o voto no seu partido seria “um voto para impedir o Brexit”.

A rejeição aberta do seu grupo ao Brexit parece atrair eleitores pró-europeus, que normalmente apoiariam um dos dois principais partidos tradicionais (Partido Trabalhista ou o conservador Tory).

May ainda espera permanecer no poder por tempo suficiente para, de alguma forma, obter a aprovação do Parlamento dos termos de divórcio da UE, antes que o recesso de verão tenha início em 20 de Julho.

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