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Presidente do Sudão do Sul ameaça disparar contra manifestantes

(DR)

O Presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, ameaçou disparar contra quem participar em protestos contra o Governo, depois de activistas terem convocado várias manifestações com moldes semelhantes às do vizinho Sudão.

Num discurso em que apresentava umas instalações que vão permitir uma melhoria da ligação do país à internet, Kiir apontou que as manifestações de jovens contra o executivo podem “levar à morte de alguns deles, caso o Governo decida usar armas automáticas”.

“Por que querem que morra gente inocente sem motivo?”, questionou o chefe de Estado.

Salva Kiir assegurou que não vai permitir “o caos entre o país e o exterior” e acusou activistas estrangeiros de incentivarem a convocação destes protestos.

De acordo com o JN que cita a Lusa, as ameaças surgem uma semana depois de grupos de activistas terem convocado, sem êxito, manifestações na capital sul-sudanesa, Juba, através das redes sociais.

A iniciativa foi semelhante ao que aconteceu no Sudão, onde manifestações que uniram vários sindicatos levaram ao afastamento do então Presidente, Omar al-Bashir, em Abril.

Ainda assim, os protestos em Juba não tiveram o mesmo sucesso, em parte devido ao elevado destacamento do Exército e da Polícia nas ruas da capital na passada quinta-feira

De acordo com os activistas, as autoridades conduziram uma campanha de detenções contra jovens que participaram na convocatória através das redes sociais.

No seu discurso, Salva Kiir acrescentou que “os jovens têm de evitar o mau uso das redes sociais”, pedindo que não sigam os activistas que, no estrangeiro, os incitam a manifestar-se.

O Sudão do Sul, com maioria de população cristã, obteve a sua independência ao separar-se do Norte árabe e muçulmano em 2011, mas a partir do final de 2013 o país entrou num conflito civil, provocado pela rivalidade entre o Presidente, Salva Kiir, e o seu então vice-Presidente, Riek Machar.

As partes formaram um Governo de unidade nacional em 2016, que caiu poucos meses após a formação devido a um reinício da violência, tendo essa sido a primeira tentativa de pacificação do jovem país africano.

O acordo para a criação de um Governo unitário com os rebeldes, aprovado em Setembro, foi o mais recente de uma série de acordos entre o executivo de Salva Kiir e os rebeldes liderados por Machar desde o início de uma guerra civil, em 2013.

Em cinco anos de conflito, estima-se que este tenha provocado a morte de 400.000 pessoas e levado a que quatro milhões ficassem deslocadas.

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