Ensa
Portal de Angola
Informação ao minuto

Partidos moçambicanos divergem sobre extradição de Manuel Chang

Manuel Chang (DR)

VOA | William Mapote

As bancadas parlamentares da Frelimo, Renamo e MDM divergem nas reacções sobre a extradição do deputado e antigo ministro das Finanças Manuel Chang para Moçambique.

A Frelimo, partido no poder, considera que a decisão da justiça sul-africana é bem-vinda e será uma oportunidade para os moçambicanos saberem de toda a verdade em torno do caso das dívidas ocultas.

Edmundo Galiza Matos Jr, porta-voz do grupo parlamentar daquele partido, espera que a extradição seja cumprida e que “a justiça nacional faça um melhor trabalho para que os moçambicanos sintam-se orgulhosos”.

Por seu lado, o grupo parlamentar da Renamo mostra-se céptico com a entrega de Chang à justiça moçambicana.

“Essa decisão tem um impacto porque com a fraca capacidade da nossa administração da justiça, o amiguismo e o partidarismo, não teremos uma justiça efectivamente feita”, assegura Mohamad Yassine, em nome da bancada do maior partido da oposição.

Já o MDM, também na oposição, prefere esperar para ver, mas diz que a extradição será uma oportunidade para a justiça moçambicana mostrar de que é que é feita.

Um desafio à justiça

Entretanto, o jurista Elísio de Sousa é de opinião de que ainda há muita tinta para correr em torno do caso Chang, ao alertar que a decisão do ministro sul-africano da Justiçaainda não é efectiva porque poderá depender da posição que os Estados Unidos vierem a tomar.

“Pode ser que os Estados Unidos recorram e, se assim for, o processo levará ainda muito tempo” afirmou, em entrevista a um canal STV em Maputo.

Sousa adverte que, até que a extradição se concretize, há ainda muitas incógnitas por resolver.

“Há uma autorização para a detenção anuída pelo parlamento, mas enquanto a imunidade não for levantada, a detenção não será materializada. Sabe-se que tem outros processos autónomos contra ele, mas em termos das dívidas ocultas, ainda não há uma acusação formal e tudo dependerá do que o Ministério Público for capaz de avançar até a efectivação da extradição” salienta.

Na terça-feira, 21, o ministro sul-africano da Justiça e Serviços Correcionais decidiu, a quatro dias do fim do seu mandato, extraditar Manuel Chang para Moçambique.

“Eu decidi que o acusado, o senhor Manuel Chang, será extraditado para enfrentar julgamento pelos seus alegados crimes em Moçambique”, lê-se num comunicado do Ministério.

Michael Masutha disse ter tido em conta que “o acusado é cidadão da República de Moçambique”, que “o alegado crime foi cometido enquanto ele era ministro de Estado” moçambicano e que a “dívida onerosa para Moçambique resultou da alegada fraude”.

O Governo sul-africano, ainda segundo a note, teve ainda em consideração a “submissão feita pelo senhor Chang para ser extraditado para o seu país natal”, o “interesse dos Estados Unidos da América e Moçambique envolvidos” e a “seriedade do alegado crime”.

Também pode gostar

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está bem com isso, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia mais

Translate »