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Cidade de Benguela carece de Lota para venda de pescado

PEIXE SARDINHA, VULGARMENTE CONHECIDO COMO LAMBULA, PRONTO A SER COMERCIALIZADO (FOTO: ROSARIO DOS SANTOS)

A cidade de Benguela, no litoral centro do país, continua a consumir peixe vendido em condições higiénicas deploráveis na zona das Tombas, devido a falta de uma Lota (local de conservação e venda de pescado), o que coloca em risco a vida de milhares de consumidores que acorrem ao local, constatou hoje, a Angop.

Centenas de cidadãos deslocam-se diariamente à referida zona para adquirir pescado e marisco, cientes de que as condições de salubridade e de conservação disponíveis no local não são as mais recomendáveis.

Falando à Angop, a propósito das condições de “pura insalubridade” em que trabalham as peixeiras desta cidade, o chefe do gabinete provincial da Agricultura, Pecuária e Pescas, admitiu as más condições em que as mesmas labutam, mas disse tratar-se de um período passageiro.

“O governo da província já adquiriu, ainda no tempo do então governador Isaac Maria dos Anjos, todo espaço envolvente do mercado do peixe das Tombas, para a construção de uma Lota para a cidade de Benguela, mas, infelizmente, o país vive essa situação de crise financeira e o projecto está actualmente engavetado”, frisou, considerando-se esperançado de que o projecto seja ainda implementado neste ciclo governativo.

Para mitigar a situação, indicou que se trabalhou com a administração municipal de Benguela e outras entidades na “Operação Resgate”, tendo sido identificado um outro espaço para comercialização de pescado, mas, segundo o director, algumas peixeiras mostram-se relutantes em abandonar a orla, devido a distância que a separa do novo espaço (mais de cinco quilómetros), além da falta de condições de conservação neste último.

Segundo José da Silva Gomes, as vendedoras prometeram adquirir mesas e as equipas de fiscalização das Pescas e da administração municipal estão a acompanhar o cumprimento dessa medida, apesar da lentidão na sua aplicação.

Por seu lado, Luís Vieira, médico de profissão, disse que as condições de higiene não são as mais adequadas nas Tombas, já que o peixe é vendido no chão, sem a mínima protecção, expondo-o sobretudo às moscas, principais vectores de doenças diarreicas, como a cólera.

Sublinhou que, as condições sanitárias das Tombas podem perigar a vida de toda gente que consome pescado adquirido naquela zona, que constitui o principal ponto de venda de pescado na cidade de Benguela.

“Tendo em conta a falta de higiene daquela zona, devemos colocar uma interrogação se vale a pena aconselhar ou desaconselhar as pessoas a adquirirem pescado a partir das Tombas, é uma responsabilidade que devemos atribuir as autoridades administrativas e ao próprio sector das Pescas”, disse o médico Luís Vieira, igualmente director clínico do hospital municipal de Benguela.

Para si, as pessoas que lá vendem devem fazer algum esforço para melhorar as condições de higiene do espaço onde trabalham, pois, além de vendedores, são igualmente consumidores, e as débeis condições fitossanitárias podem prejudicar também as suas próprias famílias.

O médico alertou que se deve tomar algumas cautelas em relação aos casos de diarreias agudas e casos de intoxicação alimentar que algumas vezes surgem nos hospitais, aferindo sobre os alimentos prévios, antes do quadro de intoxicação, com vista dar-se uma resposta adequada sobre as causas.

Defendeu a necessidade de um laboratório para aferir a qualidade dos produtos consumidos na província, entre os quais, a água de mesa, os produtos agrícolas, os de origem animal, pescado, entre outros, de modo a identificar o valor nutritivo daquilo que se consome.

Por seu lado, Luciana Cassinda, que vende nas Tombas há oito (8) anos, afirmou que a actividade é rentável, porque permite o sustento da casa, incluindo o pagamento das propinas escolares dos filhos.

“Graças a venda de pescado, eu consegui construir a minha casa, além de suportar os encargos da escolas dos meninos”, frisou, antes de indicar que prefere vender nas lonas colocadas sobre o areal, porque os clientes preferem comprar o peixe fora das bancadas.

Informou que, apesar da falta de higiene, cada vendedora catalogada paga Akz 100 para o serviço de limpeza, 50 para fiscalização e 50 outros para os jovens que garantem o asseguramento.

Para Joaquina Lucamba, outra peixeira que trabalha nas Tombas há 20 anos, disse que o pescado vendido é fresco e bem conservado, embora reconheça a necessidade de se melhorar a salubridade do meio.

Entretanto, adiantou que o peixe está difícil nos últimos dias e por isso encarecido, porque os marinheiros já o vendem caro às revendedoras, por alegarem dificuldades na obtenção de combustível.

“Não se pode parar, porque daqui depende a sobrevivência de muitas famílias”, defendeu, lembrando que graças a esta actividade são várias as pessoas que já suportam a formação superior dos seus filhos.

Ambientalistas locais ouvidos a propósito, apontaram a necessidade de serem reforçados os mecanismos de fiscalização, com vista a oferecer alguma garantia de qualidade do produto que se consome.

Segundo um especialista que pediu o anonimato, o ministério da Agricultura tem um laboratório bem equipado no município da Catumbela e sempre que os barcos atracam deveriam ser recolhidas diferentes amostras para serem submetidas a análise.

“Ninguém, nos dias actuais, controla a qualidade do pescado que se vende na orla marítima de Benguela”, referiu.

A nível da província, a vila da Baía Farta é a única que dispõe de uma Lota, entretanto, ainda paralisada.

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