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Presidente assinala “biodiversidade ímpar” do país em livro apresentado hoje

O diretor do Instituto Nacional de Biodiversidade e Áreas de Conservação (INBAC) de Angola, Aristófanes Pontes (D), acompanhado pelo diretor do CIBIO-InBIO da Universidade do Porto, Nuno Ferrand (E), após a assinatura de acordos de cooperação entre o INBAC e o (CIBIO), fala durante a conferência e o lançamento do livro "Biodiversidade e Angola", em Luanda, Angola, 21 de maio de 2019. (AMPE ROGÉRIO/LUSA)

Angola conta a partir de hoje com um livro sobre biodiversidade, com informações dos últimos dois séculos sobre a flora e fauna angolana, editado por especialistas africanos, europeus e norte americanos e com prefácio do Presidente angolano, João Lourenço.

“Angola continua a ser um dos países menos bem documentados do mundo em termos da sua biodiversidade. Esta situação está prestes a mudar. Cientistas angolanos colaboraram com mais de 40 colegas de 10 países para produzir uma síntese de conhecimento sobre a biodiversidade ímpar de Angola”, escreveu João Lourenço, acrescentando que a obra “identifica as excitantes oportunidades de investigação que os cientistas e demais interessados podem abraçar”.

Intitulado “Biodiversidade de Angola – Ciência e Conservação: Um Síntese Moderna”, o livro comporta 20 capítulos e mais de 700 páginas e contou com quatro editores, nomeadamente o angolano Vladimir Russo e o português Nuno Ferrand de Almeida e 46 outros colaboradores de vários países.

De acordo com a Lusa, o livro, editado em inglês e português, foi apresentado durante uma conferência sobre Biodiversidade de Angola promovida, hoje, pela Fundação Kissana, no Memorial António Agostinho Neto, em Luanda.

Segundo Vladimir Russo, um dos editores do livro e diretor executivo da Fundação Kissama, o documento contém informações da biodiversidade angolana “desde os anos de 1800” e confirma a existência de muitos dados sobre as espécies da flora e fauna do país.

“No entanto, a ausência ainda de mapas de vegetação atualizados sobre a distribuição de determinada espécie, constatação de que a biodiversidade é rica, significa que está pouco estudada e, deste modo, é difícil fazer a conservação que queremos”, sublinhou.

Além da abordagem científica, os autores apresentam ao longo dos 20 capítulos “preocupações sobre a degradação da biodiversidade devido à expansão urbana, à caça furtiva, à agricultura e à indústria extrativa”.

“Vão degradando a nossa biodiversidade. O quadro não é bom, mas também não é muito mau. É possível reverter. Daí ter dito que é possível fazer investigação, fazer mais para trabalhar em projetos de investigação”, afirmou.

De acordo com o responsável, a rica biodiversidade angolana é uma das constatações do livro, acrescendo-se a “necessidade de se fazer mais investigação”.

Daí que, referiu, compilaram-se “informações de dois séculos” e elencaram-se “algumas oportunidades de conservação”, porque dos vários biomas que há no país “nem todos estão representados nas áreas de conservação”.

O também ambientalista angolano apontou ainda a inexistência de recursos humanos para trabalhar nas áreas de biodiversidade, referindo que Angola “não tem taxonomistas”, especialistas da área da genética.

“Todo o trabalho que fazemos de recolha de tecidos, fragmentos de ósseos, de espécies para a análise de ADN tem de ser mandado para o exterior, porque não temos essas capacidades aqui, pelo que é preciso formar essas pessoas”, sustentou.

Em relação ao Dia Mundial da Biodiversidade, que se assinala na quarta-feira, Vladimir Russo defendeu a necessidade de se “travar a caça furtiva e a desflorestação” em Angola, argumentando que essas ações “estão a limitar os projetos de conservação e a proteção da biodiversidade, principalmente a biodiversidade fora das áreas de conservação”.

“É importante redefinir, há uma série de políticas aprovadas e temos de cumprir com os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio”, concluiu.

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