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Polícia Namibiana apreende madeira angolana que se suspeita estar ilegalmente a caminho da China

A polícia e agentes da inspecção florestal da Namíbia apreenderam seis camiões com mais de 35 toneladas de madeira cada um de origem presumivelmente angolana que estavam a caminho de uma empresa chinesa em Walvis Bay que a iria exportar para a China, noticiou a imprensa do país vizinho.

Esta madeira, que surge num complexo e estranho cenário de recordes de exportação de madeira namibiana, como o NJOnline noticiou em Março, foi carregada, segundo contaram os camionistas ao jornal The Namibian, na aldeia de Katava, província do Kuando Kubango, junto à fronteira com a Namíbia, na área de Katwitwi, região de Kavango, e tinham como destino um exportador que a devia fazer chegar ao mercado chinês.

No entanto, as autoridades namibianas garantem que a madeira é, efectivamente, de origem namibiana, embora os camionistas, confrontados com este dado, tenham afirmado ser impensável que seis camiões de madeira colhida na Namíbia se tenham deslocado a Angola para depois voltarem a entrar na Namíbia e aproveitar o porto de Walvis Bay para embarcar os toros rumo à China.

Os camionistas, todos de nacionalidade namibiana, confirmaram que o seu cliente, um empresário chinês baseado na área de Rundu, na Namíbia, organizou o transporte e o carregamento da madeira em Angola, de onde partiram para a costa namibiana com o objectivo de a fazer embarcar em Walvis Bay.

Porém, a adensar este misterioso ressurgimento de uma produção madeireira em território nambiano que a todos estranha por este país ser, em grande parte, desértico, os camionistas afirmaram que as autoridades, da polícia e da inspecção florestal, insistiram com eles para admitirem que a madeira era de origem namibiana e não angolana.

“Eles – a inspecção florestal e a guarda fronteiriça – pararam-nos e disseram que tinham 100% de certeza de que a madeira que carregávamos era de origem namibiana e não angolana. Mas porque é que alguém iria cortar madeira na Namíbia e depois levá-la para Angola para, depois, voltar a trazê-la para a Namíbia, com várias passagens de fronteira?”, indagaram os camionistas, que garantem terem feito os carregamentos numa aldeia angolana próximo da fronteira entre os dois países.

Os camionistas desconheciam mesmo o tipo de madeira que transportavam, embora as autoridades locais tenham admitido que se tratava de pau-rosa (mussivi), uma madeira rara e valiosa, com grande procura nos mercados asiáticos pela sua alta qualidade e durabilidade, embora, devido ao perigo de extinção em que se encontra em todo o mundo, seja alvo de fortes medidas de protecção e restrição à sua exportação, razão pela qual se crê que a madeira deste tipo colhida em Angola esteja a ser exportada pelos portos namibianos passando a fronteira através de esquemas ilegais.

Depois do controlo destes seis camiões, segundo relata a imprensa do país vizinho, as autoridades exigiram aos camionistas a documentação legal para o transporte e de origem da carga, visto que o corte de madeira está actualmente proibido na Namíbia, excepto em circunstâncias extraordinárias, como o perigo de queda de árvores ou para investigação científica, desde 01 de Abril.

O responsável pela direcção-geral das Florestas da Namíbia, Joseph Hailwa, citado pelo The Namibian, admite que é “possível”, mesmo que estranho, que a madeira tenha sido colhida na Namíbia e levada para Angola, contrariando a versão dos camionistas.

Garante, porém, que tudo está a ser feito para garantir que a proibição de abate de árvores no país está a ser respeitada, e que o uso de portos marítimos na Namíbia para embarcar madeira de outros países, como Angola, cumprem os requisitos de forma integral, especialmente apresentando uma “permissão de trânsito” e de abate das árvores.

E sublinhou que se se provar que se trata de madeira namibiana que está a ser ilegalmente exportada através de um esquema que recorre a território angolano para o efeito, vai ser pedida uma intervenção de fundo da polícia e das forças de segurança para estancar este processo.

Madeira angolana com “sotaque” namibiano?

A quantidade anormal de madeira proveniente de espécies raras exportada pela Namíbia nos meses de Janeiro e Fevereiro deste ano gerou protestos e dúvidas no país vizinho por causa da devastação das escassas florestas do país que se concentram no nordeste namibiano, na área de Rundo, próximo da fronteira com Angola, na província do Kuando Kubango, dando origem a suspeitas de que parte das cargas de toros “namibianos” podem, afinal, ter origem em Angola.

O grande volume de madeira exportada pela Namíbia, nos dois primeiros meses deste ano, oficialmente tem maioritariamente origem nas áreas do Kavango Este, Kavango Oeste e Ohangwena, junto à fronteira com Angola.

O volume das exportações neste curto período contrasta com os números dos anos anteriores de forma gritante, como o indicam os dados fornecidos à imprensa namibiana pela administração dos portos marítimos do país, que mostram que ao longo de 2018 o país exportou 3.200 toneladas de madeira mas só entre Janeiro e Fevereiro de 2019 foram embarcadas para a China mais do dobro: 7.500 toneladas.

Estes dados acontecem, todavia, antes de ter sido accionada a proibição de abate que ocorreu a 01 de Abril.

Os mesmos dados publicados pelo põem em evidência o forte crescimento da exportação de madeira entre 2015 e os dois primeiros meses de 2019, que passou de escassas 22 cargas de camião (truckloads) – uma carga equivale a 36 toneladas – para 208 cargas nos primeiros 60 dias deste ano.

E a dúvida sobre a verdadeira proveniência da madeira, apesar de haver registos oficiais de embarque de madeira oriunda de Angola, RDC e Zâmbia no porto de Walvis Bay, resulta do facto de a Namíbia ter apenas uma pequena parte do seu território, por ser um país essencialmente semiárido ou mesmo desértico, florestado, no nordeste, junto à fronteira com Angola nas províncias austrais do Kuando Kubango e do Cunene, ou ainda do noroeste do Botsuana.

Existe ainda um claro conflito entre os ministérios do Ambiente, que se opõe à emissão de licenças para abate de árvores na região de Rundu – colada à fronteira com Angola -, especialmente das espécies raras e mais procuradas pelos mercados asiáticos, como o pau-rosa ou pau-preto.

Os mesmos dados apontam ainda para um curioso decréscimo da utilização dos portos namibianos para servirem de porta de saída para madeira oriunda de outros países, como Angola, ao mesmo tempo que cresce o volume de madeira com produção sujeita a “certificação” namibiana.

A advertência da AIA

A par deste fenómeno, recentemente, o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA) José Severino, durante um seminário organizado pela ONU, denunciava a “exploração desmedida” de madeira no Cunene, pedindo medidas urgentes para por fim à devastação das florestas numa província fortemente afectada pela seca há vários anos.

O dirigente e empresário fez questão de afirmar que “dezenas de camiões carregados de toros” circulam livremente naquela província angolana que faz fronteira com a Namíbia, sublinhando a sua opinião que vai no sentido de ser um erro manter as autorizações para o abate de árvores no Cunene e no Kuando Kubango porque são estas a última fronteira verde contra o avanço do deserto do Kalahari para norte.

Recorde-se que, por causa da sobreexploração de madeira no país, o Governo, via Ministério da Agricultura e Floresta, através de decreto, proibiu, no início de 2018, e durante alguns meses, o corte, a circulação e transporte de madeira em toro e serrada em todo o território angolano prometendo mão pesada para os infractores.

O controlo do abate de árvores nas províncias do sul de Angola, especialmente no Kuando Kubango e no Cunene é ainda essencial para diminuir a intensidade do avanço do deserto da Namíbia para Angola, que tem pela frente, como travaão a “muralha” verde que é cada vez mais porosa e em constante diminuição devido à indústria madeireira, ao corte de florestas para produção de carvão e também devido à criação de pastos para alimentar o gado que se bate, por causa das cada vez mais prolongadas secas, com menos locais de alimentação natural.

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