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Campanhas eleitorais europeias são marcadas por desinformação

DW África

O Facebook é uma das principais plataformas digitais utilizadas para a divulgação de conteúdo falso. Investigadores defendem a ampliação do acesso a dados para que seja possível identificar as fontes de desinformação.

Um post ainda disponível no Facebook, acusa o partido alemão Os Verdes de utilizar um cartaz com a mensagem “Morte aos homens brancos alemães” num escritório de campanha na cidade de Donauwörth, no sul da Alemanha. São imagens falsas que buscam difamar o partido e desestabilizar a sua base eleitoral.

Entretanto, quem deseja compartilhar a informação recebe um alerta sobre a falta de autenticidade do conteúdo. A análise deste post foi feita pela organização independente de jornalismo investigativo Correctiv e pelo serviço de checagem de fatos da agência de notícias alemã DPA, que firmaram uma parceira com o Facebook na Europa para investigar conteúdo questionável nas redes sociais.

O exemplo da Baviera é apenas um entre muitos. No geral, tenta-se espalhar desinformação para influenciar as opiniões políticas dos cidadãos. O quão eficaz isto realmente é ainda não é possível mensurar. No mínimo, pode-se esperar que as eleições serão influenciadas por campanhas direcionadas.

No final de maio, os cidadãos dos 28 países da União Europeia (UE) irão eleger os membros do novo Parlamento Europeu e, assim, determinar o futuro do bloco. Durante a campanha eleitoral, a principal plataforma utilizada para espalhar desinformação está a ser o Facebook, que tem milhões de usuários europeus.

“Nós começamos relativamente mal neste tema com a campanha presidencial dos EUA em 2016”, afirmou Semjon Rens, diretor de políticas públicas do Facebook para a Alemanha, Áustria e Suíça, numa conferência em Hamburgo. Um relatório produzido pelo investigador Robert Mueller mostra que atores russos, como a Agência de Pesquisa na Internet (IRA), usaram a rede social para disseminar desinformação em favor de Donald Trump.

Desde então, o Facebook está a investir em equipas especializadas em combater a desinformação nas redes. Um dos principais desafios é encontrar os interlocutores certos em cada país. Enquanto o Escritório Federal Alemão de Segurança da Informação foi rapidamente sensibilizado sobre o tópico, a busca por interlocutores em outros países tem sido mais difícil.

Recentemente, o Facebook lançou uma “biblioteca de publicidade”. A ferramenta permite aos usuários entender os interesses políticos que estão por trás do conteúdo da plataforma. É possível encontrar informações sobre quais atores políticos colocaram os anúncios, e quando e quanto pagaram. “Este é um passo na direção certa”, afirma Alexander Sängerlaub, analista em desinformação digital da Fundação Neue Verantwortung, em Berlim.

Amplo acesso

Entretanto, anúncios segmentados e pagos por partidos políticos são apenas uma das muitas categorias de conteúdo político, e muitos não são disponibilizados para acesso público. Ainda assim, é possível fazer uma análise individual de páginas que presumivelmente desinformam. Mas isso não é suficiente. “Estamos a voar às cegas nas eleições europeias”, reclama Alexander Sängerlaub. “Será difícil descobrir de facto quanta desinformação circulou pelas redes.”

“Frequentemente, muitas vezes não está claro quais atores estão a transmitir determinadas mensagens em campanhas de desinformação. É preciso identificá-los e sistematizar esse processo. Investigadores precisam ter acesso a grandes quantidades de dados com métodos estatísticos, e isto está a ocorrer de forma muito limitada”, explica o analista.

O Facebook fechou uma das interfaces para a análise de publicações públicas depois do escândalo da Cambridge Analytica em 2017, quando os dados de milhões de usuários foram utilizados sem autorização para influenciar a opinião de eleitores em vários países. Depois, o Facebook voltou a permitir o acesso a dados para alguns analistas que fazem pesquisa nesta área, mas não está claro qual é o critério de seleção.

Mais difícil do que no Facebook e no Instagram é rastrear a disseminação de informações falsas no WhatsApp. “O WhatsApp é criptografado de ponta a ponta, ou seja, os dados não são armazenados pelo Facebook”, afirma Semjon Rens, do Facebook.

“Em outras palavras, as oportunidades de identificar agentes maliciosos são muito limitadas e temos que depender dos feedbacks dos usuários. No final, o quanto queremos intervir em tais serviços torna-se uma questão política. Precisamos de um debate fundamental sobre qual deveria ser a relação entre segurança e privacidade”, acrescenta.

Quem compartilha conteúdo falso?

Informações manipuladas ou mentirosas são geralmente postas em circulação por perfis falsos. O Facebook sempre exclui esses perfis, mas Rens pondera: “Nunca conseguiremos excluir todas as contas falsas da nossa página. Estamos a lidar com sistemas de direitos eleitorais completamente diferentes entre os 28 países da UE”.

“Acho que está claro que estamos a falar de políticas de segurança e esta é como uma corrida armamentista entre atores do mal e nós”, complementa.

No entanto, a desinformação não se restringe apenas a perfis falsos, mas é também disseminada por veículos de comunicação tradicionais. Um exemplo disso é uma publicação do tablóide Bild sobre uma suposta carta elaborada por 100 médicos especializados em pulmão sobre os riscos à saúde causados por motores a diesel. O jornal não averiguou a veracidade do documento, que se provou falso. Por fim, é também responsabilidade dos cidadãos questionar de forma crítica por que acreditam ou não numa determinada informação.

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