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Venezuelanos passam noite em filas atrás de gasolina

(AFP / MARVIN RECINOS) Filas para abastecer em Caracas, 17 de maio de 2019

AFP

Na Venezuela, a sexta-feira foi marcada por uma imagem que não condiz com o tamanho das reservas de petróleo do país, uma das maiores do mundo: filas gigantescas para o abastecimento de gasolina em várias cidades.

“Estou na fila desde ontem, tenho amigos que estão aqui há dois dias”, disse à AFP o professor Edwin Contreras na cidade de San Cristóbal, no estado de Táchira (oeste), na fronteira com a Colômbia.

“O que me preocupa é que se não chegar logo um caminhão-tanque, teremos que ficar aqui até domingo ou terça”, acrescenta Contreras, que não tem trabalhado nos últimos dias por conta da falta de combustível.

Fotos e vídeos compartilhados nas redes sociais mostram diversos pontos do país, como os estados Bolívar (sul) ou Lara (noroeste), com filas de veículos que se alongam por muitas quadras.

A falta do produto também tem gerado casos de corrupção, através de motoristas que subornam funcionários dos postos para abastecer sem a necessidade de entrar nas filas, segundo denúncias.

A Venezuela detém 17,9% das reservas comprovadas de petróleo no mundo, à frente de Arábia Saudita (15,7%), Canadá (10,0%) e Irão (9,3%), mas a produção entrou em colapso nos últimos anos por falta de investimentos e casos de corrupção no setor.

Responsável por 96% da arrecadação do país, na última década a produção passou de 3,2 milhões de barris por dia para 1,04 milhão, segundo registos de abril passado divulgados pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Com o setor limitado ainda por sanções impostas pelos Estados Unidos contra a estatal PDVSA, a Venezuela tem importado cerca de 250 mil barris de combustível diariamente para atender a demanda interna.

Em Caracas, menos atingida pela escassez, também foram registadas filas nos postos, mas o motivo foi a precaução.

Com a gasolina mais barata do mundo, com um dólar é possível comprar 5.400 litros. A dificuldade agora é encontrá-la.

“Vivemos em decadência, porque se não há gasolina, não podemos mover, e precisamos comprar comida”, disse Jean Carlos Castillo, morador de San Cristóbal.

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