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Benguela: Sabor agridoce na festa de uma cidade sem “milagre” para o caos

Cidade completa 407 anos e governador diz ter fé no amanhã (DR)

VOA | João Marcos

Benguela, capital da província com o mesmo nome, celebra 402 anos de fundação, nesta sexta-feira, 17, 17 de Maio, debaixo de lamúrias pela fuga do estatuto de cidade referência na recolha de lixo em Angola, perdido para o Huambo e o Lubango, mais avançados na oferta de serviços sociais à população.

A satisfação própria de um aniversário, manifestada com algumas actividades em curso, segue ao lado da revolta popular pelos problemas de electricidade, água e estradas, quando a governação prepara os habitantes para o pior.

Inundada por uma ‘’chuva de críticas’’ que nem a chegada do inverno consegue suavizar, a cidade fundada em 1617 por Manuel Cerveira Pereira está sem soluções para escoar os vários problemas que enfrenta, muitos com raízes no débil saneamento básico.

É por aqui, aliás, que começa a crítica do pesquisador cultural Joaquim Grilo, há mais de sessenta anos naquela que é tida como ‘’cidade mãe de cidades’’.

‘’Em termos técnicos, Benguela tem uma espécie de cilindro para os dois lados, sul e norte, pelos quais as águas seguiam na altura das enxurradas, através das sarjetas. Existiam manilhas com diâmetros que quase nos permitiam andar de gatas. Foi tudo tapado, e hoje quando chove é um deus nos acuda’’, salienta o pesquisador.

Algo que, aos olhos da opinião pública, não acontece em cidades como o Huambo e o Lubango, capitais de províncias com orçamentos inferiores.

O analista Cabral Sande ajuda-nos a perceber as diferenças, sendo certo que nesta altura os paralelismos são inevitáveis.

‘’O problema pode ser de competência (dos dirigentes) ou de falta dela, mas eu acredito que esteja muito mais ligado à liderança, uma vez que nem todo chefe é um bom líder. É preciso que Benguela preste contas à comunidade, que é a razão da existência da governação. Infelizmente, em Benguela as pessoas fecham-se na retoma dos doutoramentos ou dos generalatos, quando começar a conversar como estas províncias, aí as coisas mudam, acabam os ânimos acirrados e o ódio de certas pessoas em relação à governação’’, comenta Sande.

Há uma semana, o governador provincial de Benguela, Rui Falcão, após visitas a hospitais e a uma escola, reiterava que o momento é bastante complexo para quem tem a obrigação de proporcionar paz social.

‘’Não há ninguém que queira governar nestas condições, são difíceis, mas temos de ter presença, não baixar os braços, tudo em prol do nosso povo. Custe o que custar. Claro que vamos ter mais falhas de água e luz, mas temos de trabalhar. Há coisas que como governador me ultrapassam, não sei fazer milagres’’, avisou Falcão.

A Feira Internacional de Benguela (FIB) é o ponto mais alto das festas da cidade.

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