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Kleber Mendonça Filho apoia protestos estudantis no Brasil

Os diretores Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho (E) em Cannes (AFP / Alberto PIZZOLI)

AFP

O diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho afirmou nesta quinta-feira (16), no Festival de Cannes, que “apoia totalmente” os protestos estudantis registrados na véspera em seu país contra cortes na educação, dizendo que o Brasil parece uma “distopia” sob governo de Jair Bolsonaro.

Mendonça, que disputa a Palma de Ouro em Cannes com “Bacurau”, sobre a resistência dos habitantes de uma cidade quando os assassinos tentam eliminá-los, disse apoiar totalmente as manifestações.

“É muito importante em uma democracia se expressar quando você está insatisfeito”, insistiu durante a entrevista coletiva do filme, codirigido por Juliano Dornelles.

“Bacurau” foi exibido em Cannes “em um momento em que existe essa ideia geral de destruir a cultura no Brasil, a arte em geral”, completou, acrescentando que seu país se assemelha a uma “distopia em muitos aspectos”.

Em 2016, o cineasta competiu em Cannes com “Aquarius”. O diretor e sua equipe realizaram um protesto midiático no tapete vermelho para denunciar “um golpe de Estado” contra a então presidente Dilma Rousseff.

Sobre este protesto, Mendonça explicou que, no ano passado, a equipe recebeu uma notificação do governo do então presidente Michel Temer, exigindo que ele devolvesse todo dinheiro investido no filme – um fato “sem precedentes na história do financiamento do cinema brasileiro”, segundo ele.

“Nenhum filme teve que pagar o dinheiro assim, especialmente para um filme que foi concluído e se tornou uma referência para o cinema brasileiro e internacional”, acrescentou.

Uma notificação sobre este caso foi enviado de novo à equipe quando o Festival de Cannes anunciou em maio que “Bacurau” estaria na disputa pela Palma de Ouro, prosseguiu o cineasta.

“Não é uma coincidência, e estamos lidando com isso com os advogados”, acrescentou ele.

Kleber Mendonça Filho também comentou sobre a presença do ator transsexual Silvero Pereira no filme, destacando a “necessidade de falar sobre isso em um país onde a violência contra a comunidade LGTB é absurda”.

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