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Problemas no recenseamento eleitoral podem provocar um conflito, dizem analistas

Eleições em Moçambique (2014) (DR)

VOA | Ramos Miguel

Alguns analistas alertam para a possibilidade da ocorrência de um conflito pós-eleitoral em Moçambique, caso não sejam resolvidos os problemas que se registam no recenseamento para as eleições de 15 de Outubro próximo, reportados pelo Instituto Eleitoral da África Austral-EISA.

O EISA acusou, esta segunda-feira, os órgãos eleitorais moçambicanos de reduzirem o número de eleitores nas zonas dominadas pela oposição.

Para o EISA, a distribuição das brigadas de recenseamento eleitoral foi para facilitar o registo de eleitores em zonas sob forte influência da Frelimo e reduzir o número de eleitores em regiões sob domínio da oposição, sobretudo no centro e norte do país.

O analista Fernando Mbanze, diz que tem conhecimento das situações reportadas pelo EISA, e que não tem dúvidas de que as mesmas visam impedir a oposição de eleger os seus governadores provinciais.

Mbanze afirmou ainda que situação diferente acontece na província de Gaza, tradicionalente apoiante da Frelimo.

O líder do Partido Independente de Moçambique -PIMO, Yaqub Sibindy, disse que reduzir o número de eleitores em zonas sob domínio da oposição favorece a Frelimo, mas a própria oposição é culpada desta situação, “porque não consegue unir-se para fiscalizar todo o processo, incluindo o recenseamento eleitoral”.

Entretanto, Raúl Domingos diz haver, na ciência política, uma teoria que diz que através do recenseamento eleitoral, um partido político pode criar condições para obter vantagens.

“Eu penso que é isso que está a acontecer, e é por essa razão que os partidos políticos da oposição estão a exigir a demissão do director-geral do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral-STAE e um recenseamento mais transparente. Este recenseamento só vai dar vantagens ao partido no poder, e isso vai criar um descontentamento que vai resultar num conflito pós-eleitoral”, destacou Raúl Domingos.

Entretanto, o porta-voz da Frelimo, Caifadine Manasse, disse que o seu partido entra em todos os processos eleitorais para conquistar o poder, sublinhando que a Frelimo é um partido de base nacional, abraça todos os moçambicanos e não confine a sua estratégia a este ou aquele círculo eleitoral.

Para José Manteigas, porta-voz da Renamo, as constatações do EISA são evidentes e críveis, afirmando ainda que o seu partido já havia denunciado essas situações.

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