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Em protesto há três meses, argelinos continuam a exigir mudanças

Manifestantes protestam contra o Governo desde Fevereiro (DR)

Mesmo a cumprir o jejum do Ramadão, manifestantes não desistem. População da Argélia quer mudança de Governo, além de eleições livres e justas. Mas uma mudança profunda no cenário político, porém, parece distante.

Jejuar e protestar, escreve a DW África, é o lema dos argelinos que tomam as ruas do país contra o Governo desde meados de fevereiro. Mesmo com o Ramadão, as manifestações que levaram à queda do antigo Presidente Abdelaziz Bouteflika continuam. Na capital Argel, os manifestantes são incansáveis. “As pessoas estão a fazer jejum e têm pouca energia. Porém, não vamos desistir, porque o nosso objetivo é maior do que nós mesmos”, conta um estudante.

O Presidente interino, Abdelkader Bensalah, diz que o Governo reagiu de forma positiva aos protestos. “A voz da população foi ouvida. O Governo reagiu de forma positiva, rápida e compreensiva aos desejos, expectativas e exigências”, afirmou.

Ainda assim, os manifestantes exigem a demissão de Bensalah, um seguidor fiel do antigo Presidente que ocupou vários cargos durante as quase duas décadas do Governo anterior.

O chefe do Exército argelino, Ahmed Gaid Salah, determinou que um novo Presidente seja eleito num prazo de dois meses. A eleição presidencial foi agendada para 4 de julho, mas manifestantes e um grupo de magistrados prometem boicotar a votação por entenderem que o atual Governo não irá garantir eleições livres e justas.

Louisa Hamadouche, cientista política da Universidade de Argel, diz que sem reformas profundas uma eleição presidencial apressada não trará uma solução para a crise. “Isso seguirá a Constituição, mas vai substituir um Presidente que foi alvo de protestos por um novo Presidente que também será alvo de manifestantes, enquanto temos um Presidente interino que também é alvo de protestos”, observou.

Falta de confiança

Grande parte da população argelina perdeu toda a confiança nos governantes. O chefe do Exército Gaid Salah fala numa “crise de Estado”, que precisa terminar o mais rápido possível. Já a politóloga Louisa Hamadouche diz que trocar apenas algumas figuras da antiga administração não irá solucionar o problema.

“O Estado não está em perigo. Os governantes estão em perigo. Eu duvido que seja possível seguir adiante com o lema de que se o Governo fizer algumas concessões, os manifestantes irão para casa. Eu não acho que isso será suficiente no futuro”, diz a analista.

O general Ahmed Gaid Salah, o homem mais poderoso da Argélia no momento, tenta obter vantagens políticas com um discurso contra a corrupção. A Justiça Militar determinou a prisão de Said Bouteflika, irmão do antigo Presidente, e de dois ex-chefes da inteligência, sob a acusação de conspirarem contra o Estado argelino. Alguns empresários ricos também estão sob custódia por supostas acusações de desvios.

Para alguns manifestantes, essa é apenas uma manobra de distração. “Essas prisões são como uma sessão de cinema. Essas pessoas devem ser julgadas, talvez até por traição. Mas agora não é o momento certo para isto”, afirmou um estudante.

Participantes nos protestos afirmam que tais processos judiciais devem decorrer depois da troca de regime. Mas uma mudança profunda de Governo parece distante, apesar dos insistentes protestos da população.

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