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Auxílio às vítimas do Idai custou mil vezes mais do que ações de preparação

DN|Lusa

O auxílio à população afetada pelo ciclone Idai custou quase mil vezes mais do que as ações de preparação e prevenção do desastre, segundo contas da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV).

Na véspera da conferência da Plataforma Global das Nações Unidas para a Redução dos Riscos de Desastre, que começa na quarta-feira, em Genebra, Suíça, a FICV concluiu que o custo das operações de socorro da Cruz Vermelha e da ONU totalizou 315 milhões de francos suíços (278 milhões de euros).

Este valor é quase mil vezes superior aos 340 mil francos suíços (300 mil euros) disponibilizados através do Fundo de Emergência de Auxílio a Catástrofes da FICV, antes da tempestade, para ajudar a evacuar as localidades e preparar as comunidades em risco, adianta a organização num comunicado.

A quantia estará mesmo subestimada já que aos 278 milhões de euros de fundos de emergência (que juntam os 250 milhões de euros do apelo de urgência das Nações Unidas para o ciclone Idai e os 28 milhões de euros do apelo do FICV para Moçambique) teriam de somar-se as verbas angariadas por outras organizações humanitárias não pertencentes à ONU.

A diferença diminui se forem contabilizados os investimentos na redução de riscos de longo prazo, como os sete milhões de francos suíços (seis milhões de euros) disponibilizados nos últimos anos pela FICV para apoiar a redução de riscos em Moçambique, “mas a discrepância mantém-se”.

Para a FICV, o ciclone Idai “mostrou o quão reduzido é o investimento da comunidade internacional na proteção das pessoas vulneráveis face aos crescentes riscos de desastres”.

“O ciclone Idai recorda-nos que a forma como reagimos a desastres está desajustada. A falta de investimento na redução e prevenção dos impactos de desastres resulta em mais gastos para salvar vidas e reparar os estragos após a ocorrência”, reforça o secretário-geral da FICV, no comunicado.

Elhadj As Sy nota que “este modelo não funciona para as pessoas em risco de ser atingidas por tempestades e inundações”, sendo, também, “um modelo que não faz sentido em termos financeiros”, sobretudo tendo em conta que se prevê o aumento de catástrofes associadas às alterações climáticas.

O ciclone Idai atingiu Moçambique na noite de 14 para 15 de março, provocando centenas de mortos e cerca de 1,85 milhões de pessoas a precisar de ajuda, segundo a FICV, o que levou este organismo, agências das Nações Unidas e muitas outras organizações a lançar gigantescas operações de ajuda humanitária.

A conferência da ONU, que se prolonga até quinta-feira, reúne em Genebra organizações humanitárias, autoridades governamentais e outras partes interessadas para debater os riscos ligados às catástrofes naturais.

Embora nos últimos anos, tenha havido uma alteração no sentido de direcionar o investimento para a redução dos riscos, a FICV admite que não seja suficiente para chegar às comunidades mais vulneráveis, em áreas particularmente sujeitas a tempestades, inundações e outros desastres climáticos “onde seria mais necessário e efetivo”.

A FICV defende a atribuição de mais recursos para ações de preparação, prevenção e adaptação às catástrofes.

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