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Chefe do SIC na Matala acusado de soltar presos por 35 mil Kwanzas

Imagem ilustrativa (DR)

O programa de combate à corrupção em curso em todo país não está a inibir a prática de acções do género em algumas zonas. apesar da detenção preventiva de vários gestores, maioritariamente públicos, na província da Huíla, no município da Matala parece que o mal está “enraizado” no seio da Polícia Nacional.

O chefe do Serviço de Investigação Criminal na Matala, inspector- chefe José Jengue, é acusado de ter soltado quatro detidos implicados na prática de diversos crimes em troca de 35 mil Kwanzas, segundo uma fonte de OPAÍS.

Os quatros supostos marginais haviam sido detidos por práticas de crimes de furto, falsificação de documentos e exercício ilegal de profissão. Tal atitude contraria o princípio segundo o qual só à PGR cabe o direito de prender ou soltar qualquer cidadão em conflito com a lei.

Segundo uma fonte deste jornal, para a execução destas acções, José Jengue contou com o auxílio de um agente de segunda, identificado por Paulo Calamba, a quém terá incumbido a missão de receber os referidos valores monetários. A denúncia já é do domínio das autoridades judiciárias, e o agente de segunda está a ser ouvido pela Procuradoria Militar neste município, com vista a se apurar os factos que lhes são imputados.

Contactado pelo OPAÍS, Paulo Calamba confirmou as acusações que pesam sobre si, alegando que se limitou a cumprir ordens superiores. “Confirmo isso. Eu sou subordinado, o meu chefe me orientou e eu cumpri”, frisou. Sem indicar em concreto o nome do chefe, confessou que, a mando dele soltou dois detidos, mas no informe consta que foram quatros. Pelo que, sente-se injustiçado.

“Eu só soltei dois. Um deles é mais velho, pela idade e pelo crime que cometeu, tivemos de soltar. Os outros dois desconheço”, disse. Relactivamente aos 35 mil Kwanzas, Paulo Calamba assumiu ter recebido o respectivo valor de um jovem que se encontra detido numa das celas do Comando Municipal da Polícia Nacional na Matala.

O agente da PN acrescentou que os 35 mil Kwanzas não foram depositados em qualquer conta da Procuradoria Geral da República, como ditam as regras em caso de caução. “Eu recebi os 35 mil Kwanzas do jovem. Foram entregues em mão e fiz chegar ao chefe”, revelou.

Por sua vez, o chefe do SIC na Matala, inspector-chefe José Jengue, negou tais acusações, dizendo que nunca soltou qualquer detido. “Eu desconheço este assunto. Nunca retirei qualquer detido da cadeia”.

Entretanto, os habitantes da sede municipal da Matala dizem que os índices de corrupção têm contribuído para o aumento da delinquência em alguns bairros. António Joaquim, um dos munícipes, informou que os delinquentes andam em conluio com a PN. “Aqui há muita delinquência porque os bandidos, quando são detidos pela PN, pagam e de seguida são soltos”, disse.

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