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Actuação comovente de Robertinho no Kilamba

Robertinho (DR)

Jornal de Angola | Analtino Santos

A segunda edição do “Muzonguê da Tradição” de 2019, que aconteceu domingo no Centro Recreativo e Cultural Kilamba, ficou marcada pela rara apresentação em palco de Fiel Didi e da reaparição pública de Robertinho.

Um dia depois da homenagem feita pela Rádio Luanda ao cantor, que esteve privado de liberdade, Robertinho reapareceu em grande e foi recebido em apoteose pelos seus admiradores e pela gestão do Centro Cultural Kilamba.

Ao interpretar “Santa Yami”, o artista emocionou-se, pois, a letra resume a situação que atravessou nos últimos dias. A música tem mais de duas décadas, numa tradução livre, a mensagem afirma que, quando teve problemas, os amigos do coração desapareceram e nem via nenhuma luz na linha do horizonte.

A actuação de Robertinho não foi apenas de choro e tristeza, houve momentos de muita alegria. Depois dos choros, “Kakinhento”, ”Sanguito”, “Samba-samba”, “Sessá”, “Kalamaxinde” e “Desespero” marcaram a sua segunda apresentação pública.

O espaço contou com gente ávida por sentir a magia da música angolana. O espectáculo não ficou limitado a Fiel Didi e a Robertinho. A Banda Movimento teve a responsabilidade de acompanhar, também, Lulas da Paixão e Dom Caetano. Maya Cool, anunciado no cartaz, não compareceu por razões desconhecidas. A Banda Movimento apresentou alguns temas do seu reportório nas vozes de Mister Kim e Massoxi, que encantaram os espectadores.

Fiel Didi apresentou os principais temas que podem ser encontrados nos discos “Coisas de Paixão”, “Em Defesa do Semba” e “Nossa Senhora da Muxima”, os dois últimos estiveram à venda no Kilamba, num acto muito concorrido.

O também mentor da Banda Movimento teve dois momentos em palco, sendo o primeiro para interpretar “Mungongo” e, no segundo, “Filho Doente”, conhecido tema de Zé Keno, uma das mais apreciadas interpretações de Fiel Didi.

Destaque, também, para Lulas da Paixão, que interpretou “Garan”, “Tio”, “Kamaka”, entre outros temas apreciados pelos amantes do seu trabalho. Dom Caetano, mais uma vez, foi forçado a cantar e, como sempre, a adaptação do poema “Adeus à Hora da Largada” não faltou.

Estévão Costa, o responsável do Centro Recreativo e Cultural Kilamba, pensa retomar com regularidade o projecto “Muzonguê da Tradição”, que tem sido uma das poucas iniciativas de valorização da música angolana fora da produção comercial e que resiste ao tempo. Reconheceu que o momento que o país atravessa torna difícil a realização dos eventos.

Ao longo de duas décadas, o projecto tem homenageado artistas e apoia a gravação de discos, além dos incentivos a projectos culturais.

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