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Proibição de importação de carnes pode afectar charcutarias

As empresas que se dedicam ao processamento de fiambre e enchidos no mercado angolano podem ver, nos próximos tempos, os seus níveis de produção a reduzir, devido à proibição imposta na importação de carnes, como a de porco.

A preocupação foi manifesta por alguns empresários do ramo que expõem na Feira Alimentícia de Angola 2019, que solicitam uma revisão da medida imposta pelo Executivo, visto que o País não é ainda autosuficiente na produção de carnes, como a de porco.

Uma das empresas visadas é a Carnes Valinho Angola, líder no mercado de enchidos e produção de fiambres, que importa 90 por cento da matéria-prima de Portugal e Espanha e 10 % é adquirida localmente, em função das parcerias estabelecidas com algumas indústrias que fornecem os cortes de porcos necessários para a produção.

Em declarações à Angop, o director-geral da Carnes Valinho, Nelson Abreu, referiu que as actuais 300 toneladas de produtos feitos mensalmente (todos produtos de charcutaria), podem vir a reduzir, caso não haja flexibilidade na importação da matéria-prima.

“ Neste momento, quer para transformação industrial quer para o comércio, não estamos a fazer a importação. Estamos a ser impactados, com esta nova lei, visto que em Angola ainda não existe matéria-prima para podermos comprar 100% no mercado nacional”, sublinhou.

Nelson Abreu observa ainda que as medidas impostas não proíbem a entrada de produtos acabados (enchidos), vindo de outras parte do mundo, considerando ser uma injustiça, ao proibirem a importação de carnes para a produção nacional.

“ Pedimos ao Governo que liberalize outra vez as carnes, incluindo a de porco, porque a fileira de suínos ainda está numa fase muito embrionária do seu desenvolvimento em Angola”, apontou.

Face à situação, a empresa teme lançar os novos produtos em carteira, uma vez que não sabe quando voltará a comprar a matéria-prima. A actual produçao, de acordo com a fonte, ainda está a ser suportada com base nas encomendas feitas anteriormente, mas a empresa diz correr o risco daqui há dois meses, parar a produção.

“ Se não existe produção suficiente para o consumo humano, muito menos para as indústriais”, observou o empresário.

Cálculos feitos, apontam que Angola precisaria de produzir mil porcos, diariamente, e para produzir esta quantidade seria preciso ter num espaço de nove meses, para dispor de 270 mil porcos, para a fábrica trabalhar de forma folgada. Enquanto isso, a Carnes Valinho, instalada no município de Cacuaco, continua a apostar na produção nacional em todas as suas marcas de enchidos, com excepçao da primor que é uma patente portuguesa, mas já produzida localmente.

Nova fábrica de enchidos à caminho

O gerente de contas da empresa Quintas Judais, Pedro Lucena, também solicita a que se liberalize de novo a proibição imposta às carnes. No mercado desde 2011, esta empresa importa todos os seus produtos acabados (enchidos e fiambres) de Portugal, enquanto é concluída a sua unidade industrial que está a ser instalada na Zona Económica Especial (ZEE) Luanda-Bengo, cuja inauguração está prevista para o final de 2019.

“Vamos adquirir a matéria-prima localmente, dando prioridade aos produtores nacionais, mas vamos ter necessidades de importar também, visto que Angola ainda não produz suínos o suficiente para alimentar às fábricas”, disse. Numa primeira fase a empresa não vai produzir toda gama de charcutaria, mas arrancará com a produção de fiambres, mocelas e chouriço.

Com um investimento de 12 milhões de dólares norte-americano, a fábrica vai permitir a criação de 80 novos postos de trabalho.

A Carnes Natura, marca angolana, é outra instituição cuja fábrica instalada no município da Humpata (Huíla). Dedica-se ao abate de gado bovino, caprino, além da charcutaria. Apesar de adquirir a matéria-prima no mercado angolano, a sua representante, Catarina Melo, também defende que se liberalize a importação de carnes, tal como consta nas regras fixadas pelo Executivo.

“O mercado de aquisição de porco é muito mais complexo, tendo em conta as partes que são exploradas para a charcutaria. Temos um mercado ainda muito pobre e com poucos produtores que faz com que o consumidor final vá a procura e não encontre”, referiu.

No seu turno, a empresa Akino (fábrica de enchidos), a mais nova no mercado, está, por enquanto, preocupada com a campanha do seus produtos, que começam a ser comercializados oficialmente, em Junho próximo, altura que estará “recheado” os seus stocks.

Com uma previsão de 50 toneladas mês, estabelecem contactos com distribuidores em várias regiões do País, para a expansão dos seus produtos no mercado nacional. “ O grande foco no negócio é que não haja ruptura de matéria-prima nos nossos stocks”, avançou o seu director para a área comercial, Ribelo Issac.

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