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RDC: militares angolanos no encalce da FLEC?

RFI | Miguel Martins

Os independentistas de Cabinda da FLEC e a Rádio da ONU Okapi, na RDC, denunciam incursões de tropas angolanas em Lukala no antigo Congo belga, violando a soberania territorial deste pais e atravessando ilegalmente a fronteira, alegadamente à procura de militantes da FLEC FAC que possuiriam bases no antigo Zaire, o que a FLEC nega.

Pierrot Ditula é membro da sociedade civil da localidade de Lukala, onde começaram as incursões a 21 de Abril, ele denuncia a presença neste momento de tropas angolanas na RDC.

“Temos observado militares da República de Angola desde o dia 3 de Maio. Eles entraram em território do Congo (RDC), mais ou menos até 30 kms da área da fronteira entre Cabinda e o Congo democrático. Eles penetraram nas matas, ainda na noite de ontem (de segunda para terça-feira) observámos um grupo que passou ali a noite.”

“Nós aqui, a população, já temos medo de penetrarmos nas lavras, de ir a qualquer sítio porque não entendemos o que se passa com esses militares angolanos.”

“Nós nunca vimos aqui tropas de Cabinda, da FLEC. No tempo de Kabila (pai) havia militares angolanos na RDC, mas esse contrato terminou”, enfatizou Pierrot Ditula.

Porém tanto o antigo Zaire, agora sob a batuta de Félix Tshisekedi, como Angola, sob presidência de João Lourenço, não confirmam de todo a informação ventilada a partir da RDC e da zona fronteiriça com território do enclave de Cabinda.

De salientar que o presidente da RDC esteve em Luanda a 5 de Fevereiro passado, na sua primeira deslocação ao estrangeiro.

A RDC foi o segundo maior destino das exportações angolanas, em África, a seguir à África do Sul, no terceiro trimestre de 2017 com um total de 4 403 milhões de kwanzas.

O enclave de Cabinda, situado entre o Congo (Brazzaville) a norte e a República democrática do Congo (a leste e a sul) é administrado por Angola desde a independência, em 1975.

No entanto o Tratado de Simulambuco, assinado entre Portugal e dirigentes cabindas a 1 de Fevereiro de 1885, previa um protectorado luso nesse território.

Trata-se da área com maiores recursos petrolíferos gerida por Angola.

Luanda descarta haver qualquer problema em Cabinda, a 1 de Agosto de 2006 um acordo de paz fora assinado.

Um protocolo contestado por sectores independentistas que continuam activos e reivindicam operações pontuais contra interesses angolanos ou estrangeiros no território, sempre relativizados pelo poder de Luanda.

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