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Abastecimento de combustível restabelece à normalidade

(DR)

A Sonangol tem desde sábado dois navios da sua frota de importação atracados na Base da Sonils, no Porto de Luanda, a descarregarem combustíveis “suficientes para o consumo de um mês”, soube ontem o Jornal de Angola de uma fonte da companhia que prevê a regularização do fornecimento “nas próximas horas”.

De acordo com o JA, a fonte revelou que essa descarga está alinhada aos procedimentos normais de importação, com os quais a companhia obtém provisões suficientes para um mês, significando que o abastecimento para o mês de Maio está disponível.No quadro dos procedimentos, o combustível é descarregado para uma central de armazenamento e depois transportado para os postos de abastecimento, com o que a Sonangol prevê que, até amanhã, os fornecimentos estejam regularizados.

O prazo coincide com o declarado pelo director comercial e marketing da Sonangol Logística, Dionísio Rocha Júnior, que durante o fim-de-semana assegurou a este jornal que a companhia “está a fazer tudo para que, nas próximas 48 ou 72 horas, a situação seja ultrapassada”. Mas a fonte que tem estado a ser citada considera que, apesar dos fornecimentos estarem a ocorrer desde sábado, normalmente, a seguir a qualquer alteração da distribuição de combustível, o mercado leva alguns dias a voltar à normalidade, o que pode levar à falsa percepção de existência de escassez de produto.

Informações obtidas pela nossa reportagem dão conta que ontem, teve lugar uma prolongada reunião entre a Sonangol e o Banco Nacional de Angola (BNA), depois de sábado a companhia ter alegado a falta de divisas de importar combustíveis.Num comunicado naquele dia emitido para explicar os problemas de abastecimento, a petrolífera evoca “dificuldades no acesso a divisas para a cobertura dos custos para a importação de refinados”, o que pode estar relacionado com a articulação com o BNA.Mas aludia também a uma pesada dívida contraída por clientes do segmento industrial, que representam 40 por cento consumo, o que pode representar a indisponibilidade do contravalor para o pagamento das divisas no sistema bancário.

O que se verificou, de acordo com a fonte, foi um atraso na disponibilidade das divisas para pagar a importação nos primeiros dias do mês degenerou numa penúria de refinados de petróleo no mercado nacional.

REFINAÇÃO E OFERTA

Angola produz na Refinaria de Luanda, a única que possui, apenas 20 por cento dos derivados de petróleo que consome, importando os restantes 80 por cento.De acordo com números divulgados em Abril, no primeiro trimestre deste ano, a Sonangol gastou 221,4 milhões de dólares a importar produtos derivados do petróleo para suprir a procura do seu mercado interno, a uma média de 73,8 milhões de dólares por mês, o que deve estar próximo dos valores da importação que está a ser descarregada na Base da Sonils.

José de Oliveira, do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola, foi ontem citado pela imprensa a afirmar que esta é a primeira vez que acontece uma situação de escassez “por atraso na importação” em Angola.

Isso deveria servir como aviso para o banco central, considerou José de Oliveira, declarando que “o Banco Nacional de Angola devia dar uma ajuda nesta questão das divisas”. Isto “não devia acontecer”, e se a situação não se resolver, tendo em conta a escassez de divisas no mercado, poderá voltar a suceder. “Agora os preços estão a melhorar, não é obrigatório que volte a acontecer”, explicou José Oliveira.

“Quando os preços passam os 60 dólares (por barril), passa a haver mais folga e, nas últimas semanas, tem estado acima dos 65 dólares”, mas se o mercado mudar “o BNA deve dar ajuda na questão dos combustíveis”, acrescentou o investigador.Esta é a segunda crise de escassez de combustíveis este ano, depois de, em Março, a companhia explicado uma penúria de semelhante gravidade com “dificuldades de condicionamento”.

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