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Morte animal no Cunene resulta em perdas de mais de AKZ 27 milhões

Vinte e sete milhões 354 mil e 600 kwanzas é o valor estimado dos prejuízos económicos causados pela morte animal na província do Cunene, de Outubro até meados de Abril, estando o gado bovino a representar 90 porcento desta cifra.

Segundo cálculos efectuados pela Angop com base no relatório do Governo Local referente a este período, o montante resulta da multiplicação do total de 19 mil e 572 gado morto (entre bovino, caprino e suíno), pela venda da cabeça a 200 kwanzas e sete meses de seca.

Com 17.995.600 kwanzas, o Curoca é o município mais atingido, seguindo-se o Cahama com Akz 3.635.800, o Cuanhama com 3.357.200 kwanzas, Namacundi com Akz 861 mil, Ombadja com 835.800 kwanzas e o Cuvelai com 669 mil e 200 kwanzas, num total geral de 436 localidades.

“Esses números traduzem-se praticamente na morte do bovino, visto que em cada 100 bois, apenas morre hipoteticamente um porco ou cabrito”, de acordo com o governador do Cunene, Vigílio Tyova, para quem “os prejuízos podem ser bem maiores a julgar com o gado morto não contabilizado”.

Aliás, segundo este governante (quando apresentava, sexta-feira, os efeitos da seca na província ao Presidente da República, João Lourenço,), essa cifra (19.539) aumentou na última semana para 26.267, numa altura em que já se encontram afectados cerca de um milhão e 100 mil bovinos.

Até Outubro passado, os danos pelas mortes (se calculados em montantes monetários) tendem a ser bem mais assustadores, a julgar pelas previsões da ausência de chuva nos próximos cinco meses e pelo total de bovino afectado pela estiagem até Abril: 907 mil 572 cabeças.

Por força da prolongada problemática da seca no Cunene, muitos bois estão a ser despachados ao preço irrisório de 50 mil kwanzas, contra o valor mínimo real de 200 mil kwanzas, como sinal de depreciação da principal riqueza do povo e maior activo económico da província.

Enquanto isso, oito a 12 mil kwanzas são os preços mínimos do cabrito nesse tempo de seca, a nível de todo o Cunene, contra os Akz 15 a 20 mil praticados na época chuvosa.

Já o porco é comercializado entre quatro e dez mil kwanzas, independentemente da estação do ano.

Neste momento, para salvar o gado mais fragilizado que circula pelas rotas de transumância, o Executivo, por intermédio do Ministério da Agricultura e Florestas disponibilizou para o Cunene (no mês passado) 120 toneladas de feno, sal comum e sais minerais.

De igual modo, esse ministério comprometeu-se em comprar mil animais (basicamente o boi desfalecido), sendo uma parte para a recuperação e outra para o matadouro.

A par da morte de animais, a seca comprometeu a presente campanha agrícola na província, que previa colher 180 mil toneladas de cereais diversos. E por não existir produção nos campos estão afectados directamente 175 mil famílias, totalizando 880 mil pessoas.

No âmbito do plano de emergência contra a fome, a província do Cunene recebeu 412 toneladas de bens alimentares de primeira necessidade, mas ainda assim, segundo Vigílio Tyova, precisa pelo menos 400 mil toneladas de massango, milho, massambala e peixe seco, para apoiar a população durante um ano.

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