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Cortizo, presidente eleito que quer “resgatar” o Panamá

Laurentino Cortizo celebra sua eleição como presidente do Panamá, em 5 de Maio de 2019 (AFP / Luis ACOSTA)

AFP

Laurentino Cortizo, futuro presidente do Panamá, depois de vencer as eleições de domingo, diz que quer “resgatar” o nome de seu país, contaminado pelo escândalo dos Panama Papers e presente em várias listas de paraísos fiscais.

“Dos 125 compromissos que temos no plano de acção, o primeiro número fala sobre resgatar o nome do Panamá”, disse Cortizo horas antes de vencer as eleições por uma margem estreita.

Após a vitória, ele endureceu seu discurso e disse que iria “defender” e “respeitar” os interesses do país.

Aos 66 anos, este empresário e fazendeiro, conhecido como “Nito”, venceu as eleições com apenas 40 mil votos sobre o direitista Rómulo Roux, apoiado da prisão pelo ex-presidente Ricardo Martinelli.

Seus seguidores destacam sua humildade e sensibilidade social, enquanto seus críticos o culpam por estar cercado por deputados acusados de escândalos de corrupção.

No entanto, ele garante que em seu governo não haverá “intocáveis”.

“Ouçam-me bem para que mais tarde não digam que não ouviram: vamos fazer sem roubar”, disse aos seus apoiantes durante a apresentação do seu programa.

Seu plano de governo inclui melhorar a educação, reformar o Estado, impulsionar a economia, combater a pobreza e a desigualdade e melhorar a transparência do governo.

Ele também prometeu criar o Ministério da Cultura e o Ministério da Mulher, elevar questões agrícolas a política do Estado e punir empresas acusadas de corrupção.

“Eu quero deixar um legado”, disse.

Após sua vitória, Cortizo conseguiu que o Partido Democrático Revolucionário (PRD, social-democrata), fundado pelo líder nacionalista Omar Torrijos – com o qual ele tem uma grande semelhança física – retornasse ao poder após uma década de oposição.

“A Cortizo terá que fazer grandes esforços para promover diálogos e consensos que serão necessários”, disse à AFP Edwin Cabrera, director de serviços de informação da Rádio Panamá.

– A cavalo e na canoa –

De origem espanhola e grega, estudou Comércio Internacional nos Estados Unidos, onde trabalhou na Organização dos Estados Americanos (OEA) e conheceu sua esposa Yazmín Colón, que o chama de “gringuito”. Com ela, ele teve dois filhos.

Depois de solicitar a votação a cavalo e em cayuco (uma canoa rudimentar), esse torcedor do Real Madrid e do Boston Celtics foi eleito deputado pela província caribenha de Colon em 1994. Em um segundo mandato, ele passou a presidir a Assembleia Nacional entre 2000 e 2001.

Cortizo foi nomeado à sua mais alta posição política em 2004, quando o então presidente Martín Torrijos lhe pediu que assumisse o cargo de ministro do Desenvolvimento Agrícola. Ele ficou 15 meses à frente do ministério.

Ele renunciou por considerar que o Panamá não deveria aceitar a flexibilização de normas sanitárias que, na sua opinião, seria imposta por um tratado de livre-comércio com os Estados Unidos, embora agora afirme que este acordo deve ser “respeitado”.

Cortizo repete insistentemente que “resgatará e transformará o Panamá”. “Nito Cortizo será o primeiro operário do país”, clamou após a vitória.

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