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Benguela: Mais de 70 trabalhadores da Angola Telecom “choram” por 12 meses de salários

VOA | João Marcos

Mais de 70 trabalhadores ao serviço da Angola Telecom na província de Benguela exigem 12 meses de salários, num ultimato em que criticam a gestão do ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha.

Com o sector a enfrentar ainda o polémico concurso público internacional para a quarta operadora de telefonia, seguranças e agentes de limpeza da Telecom, empresa a caminho da privatização, associam os atrasos salariais à falta de transparência na contratação de parceiros para certas empreitadas.

Parte dos funcionários que reivindicam ficou na direcção provincial de Benguela, com promessas de efectividade, na sequência do fim do contrato de prestação de serviços entre a Angola Telecom e as suas anteriores entidades empregadoras.

Outros, sobretudo senhoras, há vários anos que faziam parte do quadro de efectivos da empresa pública de telecomunicações, daí que questionem o facto de terem sido empurrados para firmas como a “Acácias Belas” e a “Organizações Félix”.

O aspecto comum entre cidadãos com salário médios de 35 mil Kwanzas – pouco mais de cem dólares ao câmbio oficial – é que ninguém recebe há um ano.

“Queríamos saber se o senhor ministro e os administradores não sabem que existem trabalhadores. Eles estão nos gabinetes, nós estamos nas matas, em perigo, sem alimentação, sem qualquer subsídio”, lamenta um segurança em nome dos colegas.

Oriundos de privados já sem oito salários, os trabalhadores aumentam o tom da crítica quando olham para os gastos do Conselho de Administração.

Em províncias como Kwanza Sul e Kwanza Norte, segundo contam, os seus colegas estão a receber os atrasados porque levam a cabo acções reivindicativas.

“Se dá para continuar, nós continuamos, se não dá que paguem o nosso dinheiro de um ano. Eles compraram cinco Mercedes, muitos milhões, mas não pagam o nosso dinheiro”, assinala outro trabalhador.

Contactada pela VOA, a direcção provincial da Angola Telecom diz que só Luanda pode dar resposta a estas preocupações.

Sem qualquer posição do Conselho de Administração, os trabalhadores prometem avançar para a UNTA-CS, uma central sindical que pede paz social nos locais de trabalho, conforme refere o secretário-geral em Benguela e membro do conselho nacional, José Laurindo.

“Neste sentido, exige a adopção de leis laborais mais justas e um agravamento das medidas de repressão à violência na sua generalidade”, resume Laurindo.

No início deste ano, o ministro das Telecomunicações anunciou o arranque do processo de privatização da Angola Telecom, para o qual se procedia já à avaliação do seu património e activos.

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