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Panamá vai às urnas neste domingo com disputa acirrada

(AFP / Luis ACOSTA) Presidente panamenho Juan Carlos Varela durante cerimônia na qual a Corte Eleitoral assume o comando das forças de segurança antes das eleições de domingo

Sete candidatos aspiram à Presidência, mas as pesquisas de intenção de voto apontam como favoritos o empresário pecuarista Laurentino Cortizo (Partido Revolucionário Democrático, social-democrata) e o ex-chanceler e advogado Rómulo Roux (Mudança Democrática, direita), escreve a AFP.

Cerca de 2,7 milhões de eleitores participam nas eleições de domingo no Panamá, naquele que é o sexto sufrágio geral desde a queda do Presidente Manuel Noriega, em 1989, com o tema da corrupção entre as principais preocupações.

Durante os meses que antecederam estas eleições presidenciais, legislativas e locais, a população do Panamá – com cerca de 3,8 milhões de habitantes – demonstrou preocupação com questões como o combate à corrupção, uma nova Constituição, o combate ao crime, ao desemprego e ao alto custo de vida.

Este será o primeiro sufrágio geral após a reforma do código eleitoral em 2017.

De acordo com a Lusa, estão em disputa a Presidência, os 71 lugares no Parlamento nacional, 20 assentos no Parlamento da América Central, 81 cargos de autarca, 679 representantes locais e nove conselheiros.

Todos os eleitos têm um período de cinco anos de serviço no seu respetivo cargo.

Nestas eleições estão na corrida pela Presidência quatro representantes de partidos políticos e três independentes.

Um dos candidatos é Laurentino “Nito” Cortizo, do Partido Revolucionário Democrático (PRD), a primeira força parlamentar com 26 dos 71 assentos na Assembleia Nacional.

Cortizo, ex-ministro e ex-parlamentar de 66 anos, aparece como favorito nas sondagens, apresentando um discurso nacionalista com promessas de governar com autonomia e firmeza para reorientar o Estado através de uma reforma legislativa constitucional e reduzir a “corrupção e a incapacidade” que reinou no Panamá na última década, na qual o PRD tem sido oposição.

Outro candidato presidencial é Rómulo Roux, líder do Partido Mudança Democrática (CD), que é segunda força parlamentar com 24 assentos no Parlamento.

Rómulo Roux, advogado, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e ex-executivo do Canal do Panamá, está em segundo lugar nas sondagens.

A recuperação económica, a segurança pública e a transformação da educação são as prioridades do programa de Governo de Roux, além da reforma do Estado, entre outros pontos.

O ex-parlamentar e ex-autarca da Cidade do Panamá José Blandón, do Partido Panamenho (Partido Panameñista), que tem 16 assentos no Parlamento, é outro dos candidatos às presidenciais.

Saúl Méndez, da Frente Ampla pela Democracia (FAD), que atualmente não tem representação parlamentar, também concorrerá à Presidência. Líder do poderoso sindicato da construção Suntracs, Méndez é um candidato ligado à esquerda.

Ainda vão concorrer à Presidência os independentes Ricardo Lombana, advogado, jornalista e ex-cônsul do Panamá em Washington durante o Governo de Martin Torrijos (2004-2009); Ana Matilde Gómez, que se tornou em 2004 a primeira mulher à frente do Gabinete do Procurador-Geral; e o empresário Marco Ameglio.

Os principais desafios que o próximo Presidente vai enfrentar no governo são a luta contra a corrupção, a melhoria e a eficiência do sistema fiscal, o refinanciamento da dívida pública, a reativação dos setores da agricultura e construção e a reforma da segurança social.

Todos os candidatos à Presidência adotaram uma abordagem inflexível, nomeadamente em relação ao combate à corrupção e os panamenhos vão às urnas com esperanças de aumentar a transparência do governo.

Os subornos pagos a funcionários públicos pela construtora brasileira Odebrecht para obter vantagens em obras públicas no país e os “Papéis do Panamá” – em que um conjunto de vários milhares de documentos confidenciais foram publicados e forneceram informações detalhadas de mais de 214 mil empresas ‘offshore’ pertencentes a autoridades e pessoas conhecidas de outros países – são os escândalos que têm mais impacto no estrangeiro.

Entretanto, os panamenhos também acompanham, por exemplo, as investigações da suposta corrupção do Governo do ex-Presidente Ricardo Martinelli (2009-2014) e o gasto exacerbado dos fundos dos deputados.

Desde 2015, já na gestão do atual Presidente Juan Carlos Varela, cerca de cem casos de corrupção foram abertos, mais de 700 pessoas foram acusadas e mais de 416 milhões de dólares (372,6 milhões de euros) foram recuperados, segundo dados do Ministério Público panamenho.

A maioria desses casos, no entanto, ainda não chegou aos tribunais.

Nas ruas, a população ainda tem um sentimento de que a corrupção é um “monstro” demasiado grande para se combater.

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