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Progressos “ainda insuficientes” na liberdade de imprensa em Angola

Euronews|Michel Santos

Alguns progressos encorajadores mas ainda muito em baixo na Liberdade de Imprensa. No último relatório anual da Organização Repórteres sem fronteiras, Angola subiu 12 lugares, saiu da zona vermelha, mas mesmo assim é ainda o país lusófono pior classificado, numa lista global liderada pela Noruega.

A Repórteres Sem Fronteiras salientou à Euronews a necessidade de reformas para conseguir dar o salto, a saber: “Facilitar o desenvolvimento de novos media; reformar o quadro legal e despenalizar crimes de imprensa; tornar os media estatais em reais órgãos de serviço público, editorialmente independentes e representantes da pluralidade de opiniões da sociedade; Facilitar acesso à informação pública”.

O jornalista Carlos Rosado, ex-director do jornal Expansão, é também opinião de que os órgãos públicos ainda têm vícios do passado.

“Desde que o Presidente João Lourenço tomou posse, deu-se uma maior abertura, mais contraditório, mas no essencial e sobretudo no que concerne aos órgãos do Estado, os órgãos públicos, as coisas continuam um pouco na mesma.

Podemos falar mal, ou melhor, podem falar mal, ou ouvimos falar mal do antigo Presidente, José Eduardo dos Santos, mas há nada de críticas ao novo presidente, João Lourenço, a história é a mesma do passado”, explica o profissional. Rosado faz questão de sublinhar que “não gosta de fazer distinção entre imprensa pública e imprensa privada, mas que em Angola a distinção tem que ser feita… e tem que ser feita porquê? Porque a imprensa pública é a que chega a todo o país”, garante.

Carlos Rosado considera que a Repórteres Sem Fronteiras está um pouco desactualizada em relação aos media independentes do país. “De facto, a Repórteres Sem Fronteiras está um pouco desactualizada, ao dizer que a Rádio Ecclésia é o único órgão independente e crítico. Eu próprio dirigi um jornal de economia até ao final de Março e posso dizer e garantir, sem qualquer espécie de dúvida, que nós somos, ou éramos, enquanto lá estive, enquanto director, éramos totalmente independentes”, sublinha.

A Repórteres Sem Fronteiras, por seu lado, explica que “as classificações são baseadas numa rede de peritos (jornalistas e académicos) em cada país. Eles respondem a um questionário que cobre todos os aspectos da liberdade de imprensa, em especial sobre sete critérios – pluralismo, independência, ambiente e auto-censura, quadro legal, transparência, infraestruturas e pressões”.

Carlos Rosado explica ainda que na globalidade há excessos, tanto na crítica como no elogio ao governo e que as dificuldades económicas dos média privados são um problema. Já a auto-censura dos jornalistas é também um dos mais sérios obstáculos à liberdade de imprensa em Angola, uma consequência ainda do passado, em que “o jornalista pensa mais em garantir o seu posto de trabalho”.

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