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Lula da Silva: “Sei que lugar me reserva a história. E sei quem estará no lixo”

Lula está preso desde abril de 2018 em Curitiba (DR)

Notícias ao Minuto Br

O ex-presidente brasileiro, Lula da Silva, concedeu uma entrevista na prisão aos jornais Folha de S. Paulo e El País.

Na manhã desta sexta-feira, dia 26, o antigo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, deu uma entrevista exclusiva aos jornais Folha de S. Paulo e El País, a partir de um auditório da sede da Polícia Federal, na cidade brasileira de Curitiba, onde se encontra detido desde abril do ano passado.

Depois de um vaivém de decisões judiciais, os dois meios de comunicação conseguiram finalmente ser recebidos. Os agentes presentes na sala explicaram aos jornalistas que Lula iria sentar-se numa mesa a uma distância de quatro metros de todos os presentes e que ninguém se poderia aproximar, de forma a cumprir com o protocolo de segurança.

Lula da Silva chegou de casaco de fato e camisa, calças de ganga e ténis e com alguns papéis debaixo do braço, como se pode ver no vídeo abaixo. Ao sentar-se cumprimentou os presentes com um “Como é que é? Tudo bem?”.

Seguiram-se duas horas e dez minutos de conversa, onde conversou com os dois jornalistas sobre a vida na prisão, a morte do neto, o governo de Jair Bolsonaro, as acusações de corrupção de que é alvo e a possibilidade de nunca mais sair detrás das grades.

“Não tem problema”, afirmou em resposta a essa última possibilidade, contada pela Folha. “Tenho a certeza que durmo todos os dias com a consciência tranquila e tenho a certeza que o [procurador Deltan] Dallagnol não dorme e que o [atual ministro da Justiça e ex-juiz Sérgio] Moro não dorme”, acrescentou.

Sobre os juízes que o julgaram nos casos em que está envolvido deixou várias críticas. “Sei muito bem que lugar me reserva a história. E também sei quem é que estará no lixo”, atirou, acrescentando: “reafirmo a minha inocência, comprovada em diversas situações”.

Sobre Bolsonaro não foi tão taxativo, fez várias críticas e afirmou que caso este não construísse um partido sólido, não perdurava. “Vamos fazer uma autocrítica geral neste país. O que não pode é este país estar a ser governado por esse bando de malucos que governa o país. O país não merece isso e sobretudo o povo não merece isso”, sublinhou.

Ao falar sobre a morte do neto Artur, de sete anos, vítima de uma bactéria, há cerca de um mês, houve um momento emotivo. “Eu às vezes penso que seria tão mais fácil se eu tivesse morrido. Já vivi 73 anos, poderia morrer e deixar o meu neto viver”, disse, entre lágrimas.

O antigo presidente brasileiro foi condenado pelos crimes de corrupção e branqueamento de capitais em duas instâncias da Justiça num processo da Operação Lava Jato. O ex-governante é visado ainda em outros seis processos que estão a tramitar em diferentes instâncias da Justiça brasileira. No entanto, na passada terça-feira, dia 23, numa decisão unânime, os juízes do Superior Tribunal de Justiça brasileiro decidiram reduzir a pena de 12 anos e um mês para oito anos, dez meses e 20 dias de prisão.

O ex-governante é visado ainda em outros seis processos que estão a tramitar em diferentes instâncias da Justiça brasileira.

Mais detalhes da entrevista deverão sair nos meios de comunicação ao longo dos próximos dias.

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