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ONU avisa: o Kenneth “ameaça uma área onde a população não está acostumada a ciclones”

(TIAGO PETINGA/ LUSA)

DN|Lusa

As últimas previsões meteorológicas apontam para um agravamento da velocidade do vento e da intensidade da chuva, à medida que o ciclone avança sobre o mar.

As Nações Unidas preveem um agravamento do ciclone Kenneth, que se dirige para o norte de Moçambique, zona que não está acostumada a tempestades tão fortes, anunciou hoje em comunicado.

A intempérie “ameaça uma área onde a população não está acostumada a ciclones”, referiu o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês).

Filipe Lúcio, diretor do escritório sobre o quadro Global para os Serviços Climáticos da Organização Meteorológica Mundial, afirmou que este evento “não se compara ao ciclone Idai”, mas vai trazer ventos fortes.

Este deverá ser o terceiro ciclone a formar-se na zona norte do Canal de Moçambique, no oceano Índico, desde que há registos por satélite, de acordo com a agência de meteorologia francesa Meteo France citada pelo OCHA: os outros dois, Elinah em 1983 e Doloresse em 1996, não tocaram a costa africana.

A tempestade atual chegou à categoria de ciclone tropical na terça-feira no oceano Índico, prevendo-se que atinja a costa de Cabo Delgado na quinta-feira ao fim do dia.

As últimas previsões meteorológicas, divulgadas hoje, apontam para um agravamento da velocidade do vento e da intensidade da chuva, à medida que o ciclone avança sobre o mar.

Durante a madrugada, poderá evoluir para um ciclone de categoria três (numa escala de um a cinco) com ventos entre 178 e 208 quilómetros por hora, de acordo com o prognóstico do Centro Comum de Investigação da União Europeia, divulgado pelo Programa Alimentar Mundial.

A mesma previsão aponta para a entrada em terra a partir das 18:00 locais de quinta-feira (menos uma hora em Lisboa), baixando para categoria dois, ainda assim com grande potencial de destruição.

Depois de chegar ao continente, “espera-se que o ciclone enfraqueça rapidamente e que até se dissipe”, mas há “alto risco de uma subida veloz dos caudais dos rios”, causando cheias nalguns locais.

Esta é o segundo ciclone a atingir Moçambique em menos de dois meses, depois de o ciclone Idai, classificado como um dos desastres naturais mais graves de sempre no hemisfério sul, ter provocado 603 mortos e ter afetado 1,5 milhões de pessoas no centro do país em março.

As autoridades moçambicanas emitiram hoje um alerta vermelho para a província de Cabo Delgado, ordenando a evacuação de zonas de cheias e povoações costeiras, e o Ministério da Educação de Moçambique anunciou a interrupção das aulas na região até segunda-feira.

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