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Joe Biden avança contra Trump: uma história de morte e sobrevivência

(Foto de Frank Franklin II / AP)

Senador durante 35 anos, vice-presidente de Obama durante oito, Joe Biden é conhecido pela experiência em política externa e pelas ‘gaffes’. Esta quinta-feira anunciou a candidatura às presidenciais de 2020, depois de ter decidido não avançar em 2016.

Todos os anos desde 1972, a 18 de Dezembro, Joe Biden não vai trabalhar. O senador do Delaware,escreve o DN, fica em casa a recordar o dia em que perdeu a mulher e a filha de 13 meses num acidente. Neilia Biden regressava a casa com a árvore de Natal que acabara de comprar quando o seu carro chocou contra um camião. A pequena Naomi e a mãe não resistiram e os dois filhos mais velhos do casal ficaram gravemente feridos.

Mas em 2015, apesar dos apelos do mais velho desses filhos, Beau Biden, pouco antes de morrer de cancro, Joe decidiu não avançar para a corrida à nomeação democrata contra Hillary Clinton. Talvez por antecipar o desafio que uma campanha presidencial pode representar para a família de um candidato. Quanto mais uma família que acabava de sofrer uma perna tão profunda.

Passados quatro anos, o cenário é hoje diferente. A perda de Beau continua a ser uma ferida na vida de Biden, mas está agora disposto a aceitar o desafio que o filho lhe fez antes de morrer. Mesmo que ainda antes de anunciar a entrada na corrida já tenha sido alvo de inúmeros ataques. Com várias mulheres a acusá-lo de as ter tocado de forma inapropriada no passado.

Nada que tenha travado Biden desta vez, com o ex-vice-presidente a tornar pública a sua entrada na corrida através de um vídeo:

Uma vida marcada pela tragédia

Aos 29 anos, Joe Biden acabara de ser eleito para o Senado, mas teria desistido e ficado a cuidar dos filhos após a morte da mulher e da filha bebé se não tivesse recebido o apoio do Partido Democrata. Foi junto às camas de hospital dos pequenos Beau e Hunter que tomou posse. Dessa altura que data o seu hábito de fazer todos os dias uma hora e meia de comboio entre o Delaware e Washington. Um hábito que manteve durante 35 anos como senador. Biden destacou-se na Comissão das Relações Externas, uma experiência que levou Barack Obama a escolhê-lo para seu candidato à vice-presidência dos EUA em 2008.

Filho de um vendedor de automóveis, Biden nasceu em Scranton, na Pensilvânia. Quando tinha dez anos, a família mudou-se para o estado do seu pai, o Delaware. O mais velho de quatro irmãos, este católico de ascendência irlandesa trabalhou como advogado, mas rapidamente enveredou pela política.

Casado em segundas núpcias com Jill Jacobs e pai de uma menina chamada Ashley, Biden tornou-se na estrela em ascensão dos democratas. E em 1988 (após vencer um aneurisma cerebral) tentou pela primeira vez a candidatura à Casa Branca. Teria, no entanto, de desistir após ser acusado de plagiar o então líder dos trabalhistas britânicos, Neil Kinnock.

A sua pergunta “comecei a pensar porque será Joe Biden o primeiro da família a ter oportunidade de ir para a universidade?” era demasiado semelhante ao “porque sou o primeiro Kinnock em cem gerações a ter oportunidade de ir para a universidade?”. Mais tarde os dois tornaram-se amigos, e Kinnock disse à BBC: “Biden é um homem de grande maturidade e longa experiência.”

Opositor à Guerra do Iraque, apesar de ter aprovado a invasão em 2002, Biden viu o conflito de um prisma muito pessoal. O filho mais velho, Beau, tenente da Guarda Nacional, estava de partida para o Iraque quando ele foi nomeado talvez por isso sempre se tenha pronunciado contra o aumento das tropas naquele país.

E se a sua experiência e os cabelos brancos (fez implantes) foram um trunfo para Obama, este conseguiu controlar a língua do vice. É dele a frase: “Há três coisas que Rudy Giuliani usa sempre numa frase – um nome, um verbo e 11 de Setembro”, proferida quando ele e o ex-mayor republicano de Nova Iorque – hoje advogado e fiel escudeiro de Donald Trump – estavam na corrida às presidenciais de 2008. E nem Obama escapou aos ataques. Em janeiro de 2008 disse que o então senador era “o primeiro afro-americano que conheço com um discurso articulado e inteligente e limpo e simpático”.

Palavras que depressa se transformaram numa clara amizade, com os dois homens a protagonizarem um dos bromances (romance entre irmãos) mais famosos da política americana. Desde os momentos em que foram vistos a comer gelados juntos – um conhecido “fraco” do então vice-presidente – ao vídeo que protagonizaram juntos para sublinhar a importância de uma alimentação saudável e do exercício físico em que surgem juntos a correr pelos corredores da Casa Branca.

O pai. Depois da morte da primeira mulher, Neilia, e da filha de 13 meses, Naomi, num acidente de automóvel nas vésperas do Natal de 1972, Biden viu-se viúvo e com dois filhos pequenos para criar. Beau e Hunter também ficaram feridos no acidente que vitimou a mãe e a irmã, mas acabaram por recuperar. O senador estava disposto a desistir da carreira política para tomar conta dos filhos, mas o apoio dos responsáveis do Partido Democrata acabou por convencê-lo a aceitar o cargo para que fora eleito aos 29 anos.

A criança. Nascido em Scranton, na Pensilvânia, aos dez anos, Joseph Robinette Biden, o filho mais velho de um vendedor de automóveis de ascendência católica irlandesa mudou-se com a família para o Delaware. Foi aí que se formou em Direito e Economia e exerceu advocacia.

A campanha. Foi em Wilmington, no Delaware, que Biden anunciou a sua primeira candidatura presidencial, em junho de 1987. A mulher, Jill, estava ao seu lado. Acabou por desistir, acusado de plagiar um político britânico. Agora foi através de um vídeo que anunciou ao mundo que vai avançar para tirar Trump da Casa Branca.

O ‘vice’. Barack Obama apresentou Biden como seu candidato à vice-presidência em Springfield, no Ilinóis. Ambos discursaram frente ao Velho Capitólio Estadual, onde o presidente Abraham Lincoln serviu como congressista antes de ser eleito para a Casa Branca, em 1860. Em oito anos de parceria política, os dois haviam de desenvolver um dos mais famosos bromances da política americana, com muitos momentos divertidos à mistura.

A mulher. Cinco anos após perder a primeira mulher e a filha, Biden voltou a casar-se, em 1977, com a professora de Inglês Jill Jacobs “Ela trouxe-me de volta para a vida”, escreveu Biden nas memórias sobre a segunda mulher.

O segundo casamento. Biden conheceu Jill durante uma recolha de fundos. A jovem estudante universitária apaixonou-se pelo senador em quem havia votado. Casaram em 1977 e têm uma filha, Ashley, hoje com 37 anos.

O homem. Joe Biden habituou-se a fazer hora e meia de comboio todos os dias entre a cidade do Delaware onde vive e Washington, onde durante mais de 35 anos representou aquele pequeno estado no Senado federal.

Trump. A acreditar nas sondagens – e num momento em que do lado democrata já duas dezenas de candidatos anunciaram a sua intenção de avançar para as presidenciais de 2020, num frente-a-frente com Trump, Biden seria quem teria mais hipóteses de derrotar o atual presidente. Um estudo da Morning Consult para o Politico dá oito pontos de vantagem ao democrata, com 42% dos inquiridos a dar-lhe o voto, contra 32% para Trump. Um duelo entre os dois seria o mais velho de sempre nos EUA, com Trump a ter atualmente 72 anos, enquanto Biden já vai nos 76.

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