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Políticos ‘abandonaram’ família da zungueira morta pela polícia

Zungueira foi morta por um agente da Polícia Nacional (DR)

Por altura do óbito da malograda, o Governo Provincial de Luanda (GPL), a Polícia Nacional e a UNITA comprometeram-se a oferecer emprego ao viúvo, mas as promessas tardam a concretizar-se. Banguila e os filhos têm-se sustentado graças a ajuda de algumas igrejas e vizinhos

Banguila Augusto, viúvo da zungueira Juliana Cafrique, assassinada por um agente da Polícia Nacional no dia 12 de Março do corrente ano, no bairro Huambo, Rocha Pinto, em Luanda, continua a ver por cumprir-se uma das três promessas de emprego que lhe foram feitas.

Em entrevista a OPAÍS, o esposo da malograda disse que, passado mais de um mês desde o passamento físico do seu amor, nenhuma promessa de emprego se efectivou, situação que tem comprometido o seu sustento e dos três filhos, de seis meses, 2 anos, e 7 anos. No dia 18 de Março, uma delegação do GPL, encabeçada pelo governador Sérgio Luther Rescova Joaquim, compareceu na casa do óbito para prestar solidariedade à família enlutada e prometeu contribuir para o sustento das três crianças órfãs.

No período da manhã do mesmo dia, segundo contou Banguila Augusto na altura à reportagem de OPAÍS, a Polícia comprometera-se, não só a dar apoios durante as exéquias, com valores monetários e alimentos, como a garantir um emprego para o viúvo.

Já por volta das 12 horas daquele dia, a família da Juliana Cafrique recebeu a visita de Helga Eduardo dos Santos, ministra do Ambiente no Governo Sombra da UNITA, que, além de manifestar o sentimento de pesar à família enlutada, prometeu prometeu a OPAÍS, em nome do seu partido, auxiliar na alimentação e educação dos filhos, bem como empregar o marido da malograda.

Banguila Augusto, ladrilhador e pedreiro, está há dois anos desempregado.

Durante esse período, o sustento da sua família era garantido pela malograda Juliana Cafrique, com os parcos recursos financeiros que arrecadava com a venda de produtos diversos no mercado paralelo da Padaria, localizado no Rocha Pinto. O jovem disse que desde o enterro de Juliana apenas ontem recebeu um telefonema da administradora do Rocha Pinto, que o orientou a fazer um curso profissional para poder ter acesso a um emprego.

“Até agora, o que me disseram é que tenho que fazer uma formação profissional, da minha escolha, e eles vão pagar”, disse, acrescentando que nestes quase mês e meio, desde o passamento físico da esposa, nunca recebeu apoio moral, nem material de qualquer instituição do Estado. Segundo Banguila, ele e os três filhos têm sobrevivido graças a solidariedade dos vizinhos e de algumas instituições religiosas que os visitam.

Músico mostra-se constrangido

O músico Naice Zulu disse ser constrangedor quando entidades políticas aparecem publicamente prometendo empregos ao viúvo, mas depois do óbito esquecem- se das promessas. Para Naice Zulu, a quem Banguila tem recorrido para pedir apoios, era melhor que as entidades que se deslocaram a residência do óbito, na altura, não dissessem nada publicamente.

O cantor rap, que foi contactado pelo Jornal OPAÍS por resultado de um desabafo nas redes sociais sobre a situação do viúvo, mostrou-se contra a exigência da formação profissional a Banguila. “O Estado tem vários sectores e ele pode ser colocado como jardineiro, por exemplo, ou funcionário de uma empresa com um rendimento de pelo menos 60 mil Kz e vai aprendendo à medida que for trabalhando. Mas não podem ser estas empresas subcontratadas, para, depois de um mês, ouvirmos que ficou desempregado novamente”, sugeriu.

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