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Gunners, Giroud e Guedes. Uma noite europeia com direito a Força G

Depois de bisar na primeira mão com o Villarreal, Gonçalo Guedes assistiu Toni Lato e ajudou na passagem do Valencia às meias-finais (AFP/Getty Images)

Observador | Mariana Fernandes

G de gunners, que apagaram o Nápoles sem sofrer golos. G de Giroud, que chegou aos 10 golos na Liga Europa. E G de Guedes, que voltou a ser importante no Valencia. A Força G de uma noite europeia.

À entrada para a segunda mão dos quartos de final da Liga Europa, existia um risco altíssimo de as meias-finais da segunda competição europeia de clubes serem curiosamente semelhantes às da Liga dos Campeões. Pelos menos no que a países diz respeito. Se entre terça e quarta-feira, Liverpool e Tottenham carimbaram o passaporte para as meias da Champions, Arsenal e Chelsea estavam bem colocados para fazer o mesmo na Liga Europa esta quinta-feira; se o Barcelona eliminou o Manchester United e é o único representante espanhol na Liga dos Campeões, alguém iria cair entre Villarreal e Valencia e ser também a única equipa espanhola na Liga Europa. Posto isto, sobrava o Ajax de um lado e o Benfica ou o Eintracht Frankfurt do outro.

Numa análise a priori, Arsenal, Chelsea e Valencia estavam muito bem colocados para seguir para as meias-finais da Liga Europa. Os gunners venceram o Nápoles no Emirates na semana passada (2-0) e só tinham de não sofrer golos em Itália, os blues foram à República Checa bater o Slavia Praga pela margem mínima e recebiam agora uma equipa inferior em Londres e o conjunto orientado por Marcelino Toral ganhou em casa do Villarreal com um bis de Gonçalo Guedes e recebia agora um “Submarino Amarelo” que ainda não está livre da despromoção na Liga espanhola.

Em Itália, o Nápoles sabia que precisava de marcar pelo menos dois golos para empatar a eliminatória e três para ficar em vantagem. Mais do que isso: o Nápoles sabia que se sofresse um golo esse número saltava automaticamente para os quatro golos. E o Arsenal, que até perdeu Aaron Ramsey ainda durante a primeira parte para uma lesão que pode dificultar as ambições não só europeias como internas dos gunners, decidiu colocar a tarefa dos italianos no nível mais elevado possível.

Num primeiro tempo sem grandes oportunidades ou lances de perigo, Lacazette aproveitou um livre em zona frontal para atirar direto à baliza do Nápoles e inaugurar o marcador. Meret, o guarda-redes da equipa orientada por Carlo Ancelotti, ficou pregado ao chão a ver a bola passar. A comemoração dos jogadores do Arsenal, entre elementos titulares e aqueles que começaram no banco de suplentes, deixava perceber que a eliminatória estava praticamente decidida. Na segunda parte, Ancelotti mostrou que a toalha já estava no chão quando retirou Insigne e o Arsenal manteve uma linha defensiva de cinco que blindou a baliza de Cech e validou a passagem à próxima fase.

Em Londres, na eliminatória que decidia o eventual adversário do Benfica ou do Eintracht Frankfurt na próxima fase, o Chelsea deu uma machadada (quase) final nas ambições do Slavia Praga ainda durante os primeiros 10 minutos. Pedro inaugurou o marcador logo ao minuto 5, no final de uma bonita jogada que até deixou Maurizio Sarri espantado, e um autogolo de Deli — que entra diretamente para o top 3 de golos mais caricatos da temporada — aumentou a vantagem inglesa. Giroud fez o terceiro (17′), tornando-se o primeiro jogador do Chelsea a chegar aos 10 golos na Liga Europa numa só temporada e apenas o terceiro de sempre a fazê-lo.

O Slavia Praga conseguiu marcar em Stamford Bridge no único lance de perigo de que beneficiou na primeira parte: aos 26 minutos, Soucek surgiu totalmente sozinho a responder a um pontapé de canto e deixou expostas as debilidades defensivas que têm tornado difícil a vida do Chelsea na Premier League. A resposta, porém, surgiu no minuto seguinte. Lance pela esquerda tal qual como no segundo golo, cruzamento para dentro da grande área, o guarda-redes da equipa checa sai muito mal à bola e Pedro, mais astuto do que o central a marcá-lo, surgiu ao segundo poste a bisar na partida.

O Slavia voltou para a segunda parte para surpreender e fez dois golos em tudo semelhantes e separados por apenas quatro minutos. Ševčík, tombado na direita do ataque checo, esquerda da defesa inglesa, rematou duas vezes de fora de área com quatro minutos de diferença e bateu Kepa duas vezes com remates muito parecidos (51′ e 55′). O Slavia Praga tinha ainda de marcar mais dois golos para ficar em vantagem na eliminatória mas para uma equipa do calibre dos checos, que ao intervalo perdia por 4-1, fazer três golos em Stamford Bridge é assinalável. O Chelsea colocou-se numa situação que era impensável no final da primeira parte e sofreu uma queda de rendimento para lá de abrupta depois do descanso: valeu, para a equipa de Sarri, a ausência de grande qualidade individual por parte dos checos.

Em Espanha, sob uma chuva torrencial que não deu tréguas durante todo o encontro, o Villarreal começava uma epopeia que tinha como objetivo fazer algo bastante difícil: marcar três golos em casa do Valencia e não sofrer nenhum. Tudo se tornou perto do impossível quando Gonçalo Guedes assistiu Toni Lato ainda dentro do primeiro quarto de hora (13′) e o jovem lateral esquerdo se estreou a marcar com a camisola dos morcegos.

O Valencia foi para o intervalo com a vantagem de um golo mas o capitão Dani Parejo, que na primeira mão até falhou uma grande penalidade, fez questão de avolumar ainda mais a diferença entre as duas equipas logo aos nove minutos do segundo tempo e passar a missão do Villarreal de difícil para praticamente impossível. Até ao final, o jogo arrastou-se quase a passo e o “Submarino Amarelo” resignou-se ao adeus à Europa. Já o Valencia regressa às meias-finais da Liga Europa cinco anos depois: ganhou a competição em 2004 e foi eliminado em 2012 e 2014.

O Arsenal eliminou o Nápoles sem sofrer qualquer golo e vai encontrar o Valencia, que fez cair o Villarreal sem grande dificuldade, nas meias-finais da Liga Europa. Já o Chelsea sobreviveu à tentativa louvável do Slavia Praga de renascer na eliminatória e vai disputar a outra meia-final com o Eintracht Frankfurt, que deu a volta à eliminatória na Alemanha e deixou para trás o Benfica. Em noite europeia, houve Força G: G de gunners, que tornaram inofensivo um perigoso Nápoles; G de Guedes, que depois do bis na primeira mão assistiu na segunda; e G de Giroud, que marcou novamente e é o melhor marcador da equipa de Sarri nas competições europeias.

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