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Diáspora guineense em Portugal tem esperança no novo governo

Mais de 761 mil eleitores guineenses foram chamados às urnas para votarem nas eleições legislativas e escolherem, entre os candidatos de 21 partidos políticos, os novos representantes do parlamento do país. (DR)

Guineenses residentes em Portugal querem ver atualizadas no programa do novo Governo as promessas de ajuda anunciadas na mesa redonda de 2015, em Bruxelas. Para evitar que a Guiné-Bissau “volte a ser um país adiado”.

O futuro governo da Guiné-Bissau deve tornar público a lista de países e fundos prometidos durante a mesa redonda de Bruxelas, indicando a sua natureza e as contrapartidas. O apelo consta de uma Carta Aberta que o Movimento Cantanhez, com sede em Coimbra, endereçou ao PAIGC, ao partido vencedor das eleições legislativas de 10 de março.

O documento, que dá corpo ao projeto “Pa Guiné ka Maina”, apresenta um conjunto de propostas exequíveis ao futuro primeiro-ministro como contributo para o programa de Governo, de modo a “evitar que a Guiné-Bissau volte a ser um país adiado.”

Em janeiro de 2018, quando a Guiné-Bissau se via confrontada com uma crise política sem saída, o movimento, dirigido por Braima Mané, propôs como solução alternativa a tutela da gestão do país pelas Nações Unidas por um período de cinco anos prorrogáveis. O Movimento Cantanhez diz que continua a acreditar nessa posição, visando colocar a Guiné-Bissau no patamar de países de desenvolvimento médio em 10 anos.

“Queremos influenciar com ideias para que o próximo Governo possa, num curto espaço de tempo, dar sinais claros de que pretende, de facto, tirar o país do marasmo em que se encontra”, diz Inácio Semedo, vice-presidente e um dos fundadores do Movimento Cantanhez. E para que isso aconteça, sublinha, “o próximo Governo terá obrigatoriamente que ser um governo de gente capaz, de gente coerente, de gente séria, de gente comprometida com o país.”

Propostas de governação

Declarações de Inácio Semedo, vice-presidente e um dos fundadores do Movimento Cantanhez, que deposita confiança no futuro primeiro-ministro, a quem apresentam, em Carta Aberta, várias propostas de governação. “A nossa confiança dependerá apenas do Governo e da sua atuação. Se for um Governo determinado em resolver os problemas dos guineenses, naturalmente que nos conquistará a nós e aos guineenses”, assegura.

O Movimento quer ver aprovada na Assembleia Nacional Popular um decreto-lei que estabeleça a obrigatoriedade de concurso público para cargos de administração pública. Propõe um pacto com os parceiros sociais de modo a assegurar um clima de estabilidade, que permita colocar o país na senda do desenvolvimento. E também quer ver liquidados os salários em dívida e pede disponibilidade orçamental que garanta o pagamento regular de salários.

De acordo com os promotores da Carta Aberta, será necessário submeter as propostas a um debate público alargado, de modo a colher ideias e contributos de guineenses de vários quadrantes. Isso vai enriquecer ainda mais o programa do Governo e a forma como deve governar o país nos próximos quatro anos.

Aos partidos da oposição, Inácio Semedo deixa um recado: “Não têm que ser inimigos, mas tem de haver, de facto, oposição. Um escrutíneo permanente, uma exigência altíssima, porque o país precisa que a oposição faça oposição, que aponte caminhos, que apresente soluções. Isso é fundamental em qualquer democracia.”

“Acredito que o país vai mudar”

Na Damaia, freguesia do concelho da Amadora, a DW África ouviu um grupo de cidadãos guineenses. Em todos eles reina a esperança. “Para mim, a esperança é grande. Eu acredito que o país vai mudar”, diz Farim Baldé, a viver há 20 anos em Portugal.

Aissatu Dabó encolhe os ombros com receio de falar. Mas depois de muita insistência, acaba por confessar que acredita no futuro primeiro-ministro. “Domingos Simões Pereira vai mudar a Guiné-Bissau.”

Ama Demba, antigo combatente a viver há 24 anos em Portugal, também acredita na coligação governamental liderada pelo PAIGC: “Votámos outra vez no PAIGC para mudar. Não é para ficar no mesmo sítio.”

Jana Sidibé mora em Portugal há quase 20 anos por razões de saúde. Acidentalmente, foi apanhado por balas perdidas durante o conflito armado de 1998. Não acredita “que haverá tantas mudanças”, porque foi sempre o PAIGC quem governou o país. “Nunca houve tranquilidade, nunca alguém governou. Se mudar, vai-me surpreender, porque sempre quem governou o país é aquela mesma tecla”, sublinha.

Úmaro Djau, residente em terras lusas há 16 anos, pede união à classe política: “Que possam trabalhar em união para desenvolver o país, porque todos estão a lutar para o mesmo objetivo. O objetivo é para o país ir para a frente.” O jovem guineense apela a uma boa governação e cita setores chaves a desenvolver, entre os quais a educação, a saúde e a agricultura.

Na sua maioria, os guineenses na diáspora também expressam o desejo de um dia voltar à Guiné-Bissau assim que houver condições. “Eu, se Deus quiser, vou voltar”, promete Farim Baldé.

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